País de lontras ou de crocodilos?

Nada haverá de estranhar num país que já viu de tudo e onde os fenómenos são às dezenas. Douro abaixo, num dia navegam crocodilos do Nilo, noutro, Douro acima, lontras, talvez do Brasil.

  • 15:31 | Terça-feira, 09 de Junho de 2020
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Nada haverá de estranhar num país que já viu de tudo e onde os fenómenos são às dezenas, sem necessidade de ir ao Entroncamento.

Douro abaixo, num dia navegam crocodilos do Nilo, noutro, Douro acima, lontras, talvez do Brasil.

Um ministro Cravinho nomeia uma adjunta (ex ou não) para dois lugares, um na OGMA (Indústria Aeronáutica de Portugal) onde terá uma reunião mensal paga a 1.800 euros a espécie e outro na IdD (Plataforma das Indústrias de Defesa Nacionais) pago à mesada de 5.127 euros.


A nomeada é Catarina de sua graça (nome com imenso potencial na entourage rosa) e terá qualidades inexcedíveis que e até nem estarão tão bem pagas quanto isso, pois a ex-adjunta-ou-não apenas usufruirá do equivalente a 11 salários mínimos nacionais. Peanuts.

O primeiro-ministro faz uma meteórica remodelação ministerial deitando fora o ante-ontem supra-sumo das finanças Mário Centeno e remetendo para o seu lugar um Leão, de seu primeiro nome João. Sai o Ronaldo dos euros e entra um suplente da Liga Orangina.

Entretanto, do país irmão, lancinantes vozes clamam por alentadas palavras de Marcelo enquanto o Messias Bolsonaro reza contrito no Planalto rodeado por “bispos” da IURD.

Militares de um lado e padres do outro, versão intemporal de “Le Rouge et le Noir”. Uma variante da síndrome de Sthendal, talvez. A vida quer-se um êxtase…

Trump, ao lado, depois da liberalização da venda das armas, com o país a ferro e fogo, chama aos revoltosos de terroristas, bandos, populaça e queria pôr o exército nas ruas (se o deixassem), perante a ineficácia das forças policiais, que oram matam ora ajoelham e rezam, que são as forças da lei e da ordem, mesmo e se a causa do tumultuado efeito. A negação do “dream” de Luther King…

No fundo, cá e lá, o vazio da retórica no seu alucinado apogeu onde “as palavra têm uma relação nula ou contrária ao seu conteúdo”, Barthes dixit.

Também Brecht escrevia… “Do rio que tudo arrasta se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”, mas que adiantou?

Aqui por Viseu, o bardo do Rossio, Almeida Henriques, com as eleições no horizonte… agora sim, desta vez é que é, contem comigo, obras são meu ADN… apresenta com ar sério um extenso rol de tudo quanto nunca conseguiu nem sonhou fazer para, após 7 anos de hibernada inércia, num élan acrescido e renascido, tudo vir prometer em pouco mais de 12 meses. Ah valente!

Lontras, jacarés e banha da cobra… não rimam, mas dão uma bela ode ou até um conciso haikai.

Já há voos para a Somália?

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