Big Pharma: realidade ou ficção?

“os grandes conglomerados farmacêuticos estão desenvolvendo drogas não para curar os doentes, pobres e necessitados do mundo, mas para curar os ricos, ou seja, nós no Ocidente."

  • 15:30 | Segunda-feira, 08 de Junho de 2020
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A propósito de uma excelente crónica publicada hoje na Rua Direita, da autoria do professor catedrático Albino Lopes e intitulada “A Academia Portuguesa e o Reino do Silêncio”, as questões ali levantadas sobre o “Big Pharma” trouxeram a este editorial, num efeito de dominó.

Afinal o que é a “Big Pharma” e as suas conjecturas?

“As teorias da conspiração da Big Pharma são conjecturas alegando que a medicina em geral e a indústria farmacêutica em particular, especialmente as grandes farmacêuticas, operam em função de objetivos sinistros contra o interesse público.


 Estas teorias da conspiração apresentam quatro características clássicas: a crença de que a conspiração é perpetrada por um pequeno grupo maléfico, a crença de que o grande público ignora “a verdade”, a alegação de que a falta de evidências é uma evidência, e a irracionalidade dos argumentos usados a favor da teoria.

Há muito que esta temática vem sido abordada em livro, em filme, na comunicação social, oscilando entre uma ficção com muitos fundamentos e a verdade crua e nua detectada em continentes como a África.

O mais falado foi o livro do incontestado mestre da espionagem John Le Carré, de seu verdadeiro nome David Cornwell, “O Fiel Jardineiro” (“The Constant Gardener”- 2001), do qual o brasileiro Fernando Meirelles – autor de “Cidade de Deus”- 2002 –  fez o filme com o nome “O Jardineiro Fiel”- 2005.

Neste livro, Le Carré descreve “as práticas medonhas das companhias farmacêuticas em África”. Segundo o autor, “Em ‘O Fiel Jardineiro”, escrevi sobre o comportamento ultrajante da indústria farmacêutica no Terceiro Mundo, sobre o uso errado de pacientes supostamente consensuais em testes clínicos.” e acrescenta, “os grandes conglomerados farmacêuticos estão desenvolvendo drogas não para curar os doentes, pobres e necessitados do mundo, mas para curar os ricos, ou seja, nós no Ocidente.” rematando “À medida que a minha viagem através da selva farmacêutica foi avançando, fui-me dando conta de que, comparada à realidade, a minha história era tão pacata quanto um cartão postal de férias.”

Por seu turno, o cineasta brasileiro Fernando Meirelles afirma ter trazido para o seu filme “uma perspectiva de Terceiro Mundo” centrada entre diplomatas e empresários corruptos nas suas sumptuosas mansões em Nairóbi, alheados dos africanos que mais não são do que meras cobaias humanas usadas, abusadas e exploradas pelas grandes empresas farmacêuticas.

Em traços gerais, qual o enredo do filme?

“Justin Quayle, um diplomata britânico em Nairobi, no Quénia, é informado de que sua esposa ativista, Tessa, foi morta enquanto viaja com um amigo médico em numa região desolada de África. Investigando sozinho, Quayle descobre que o seu assassinato, alegadamente cometido pelo seu amigo, pode ter tido raízes mais sinistras.

Justin descobre que Tessa desvendou um escândalo corporativo que envolve experiências médicas em África. KVH (Karel Vita Hudson), uma grande empresa farmacêutica que trabalha sob a cobertura de testes e tratamentos para o HIV, tem vindo a testar um medicamento contra a tuberculose que tem efeitos secundários graves. Em vez de ajudar os pacientes do ensaio clínico e começar de novo com um novo medicamento, a KVH encobriu os efeitos secundários e melhorou o medicamento apenas em antecipação a um surto de tuberculose resistente.

Justin viaja pelo mundo para reconstruir as circunstâncias que levaram ao assassinato de Tessa. À medida que ele começa a juntar o relatório final de Tessa sobre os testes de drogas fraudulentos, ele descobre que as raízes da conspiração chegam mais longe do que ele poderia ter imaginado; a uma ONG farmacêutica alemã, a um campo de ajuda humanitária africano e, mais preocupante para ele, a políticos corruptos no Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido.”

Este livro de Le Carré é também uma homenagem prestada à activista Yvette Pierpaoli.

Um livro da Dom Quixote, a ler ou a reler com urgência. E através dele, destrinçando todas as intrigas ali descritas, congeminará o caro leitor,  a perspectiva que melhor se adequar à sua capacidade crítica.

 

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