A pasta é complicada, tem arestas e ângulos, sombras e percalços, cruzes e sismos. É uma máquina trituradora de políticos. Dá vertigens aos titulares.
Os problemas são múltiplos e complexos, polícias, incêndios, imigração, segurança rodoviária, actos eleitorais. Poucos são os ministros que deixam marca. Ou por falta de tempo, ou por incapacidade técnica, ou por falta de verniz. As circunstâncias esmagam-nos, engolem-nos, reduzem-nos a cacos. Alguns deslumbram-se com o poder e espolinham-se ao comprido. Faz parte da miserável natureza humana.
O ministério é quente, mexe com um interesse transversal, que afecta todos por igual: a segurança. A violência e a criminalidade fazem parte da preocupação de todos, indistintamente. Os números e as estatísticas que os governos, todos, nos servem à mesa, são “martelados”, ao sabor dos interesses conjunturais. Convém que sejam os últimos 5 anos, aponta-se ao quinquénio; sorriem-nos os últimos dez, vamos ao decénio, a mão sempre pronta a larapiar a verdade, os contadores uns ratoneiros de fraque e cartola, caneta Montblanc em punho.
Todos os mencionados acima tinham esses requisitos. As apostas femininas anteriores, próximas e remotas, foram apostas falhadas, fiascos, pungentes erros de “casting”, uma desgraça em formato de saias. Ser-se mulher não é sinónimo de saber e competência. Era só o que mais faltava. Não é machismo, é bom senso, razoabilidade, equilíbrio.
Francamente, não sei se Luís Neves virá a ser um bom ministro. Pode ser que me engane, mas não tenho fé. Não está em causa o seu perfil de polícia, que quase todos, num aplauso nacional e num calvário de alegrias, elogiam, babando-se. A questão é outra, mais profunda: se não será polícia a mais num fato civil. Se podemos casar predicados opostos, antagónicos. O senhor tem patine, mas duvido que para estas andanças importe muito o requinte e o refinamento. Além de que nem sempre um bom mestre de obras dá um engenheiro do mesmo quilate.