O que levou Ventura a dar o dito por não dito, na 25ª hora, juntando-se à esquerda contra o “Pacote Anti-Laboral”?

... nas jornadas parlamentares, em Viseu, Ventura disse aos deputados, apoiantes e grandes capitalistas que os financiam, de que mais importante do que os princípios é chegar ao governo. 

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  • 15:52 | Quarta-feira, 01 de Julho de 2026
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No dia 19 de Junho, manhã do dia da votação do “Pacote Laboral”, foi publicada uma sondagem no Correio da Manhã, CMTV, Now e Jornal de Negócios, onde o PS (com 24,3%) fica à frente da AD (19,5%) que desce para o terceiro lugar, atrás do Chega (20,3%).

Ventura percebeu que a queda da AD se deveu ao descontentamento dos eleitores com a obstinação do PSD, do CDS e da IL em aprovar o “Pacote Anti-Laboral”, contra a rejeição dos sindicatos e dos trabalhadores.

Na véspera da votação, Ventura proclamou vitória com a aprovação, no dia seguinte, do Pacote Laboral com os votos do Chega, graças às propostas aceites pela AD. Mas os 15% para os trabalhadores por turnos ficariam abaixo dos 25% já praticados em muitas empresas e na Administração Pública. E a redução da idade da reforma, sendo justa, só seria exequível com medidas niveladoras, a tributação para a Segurança Social de postos de trabalhos ocupados por máquinas automáticas e robôs que substituem trabalhadores (nas gasolineiras, caixas de supermercados e fábricas) e com a regularização de todos os imigrantes que sustentam as nossas pensões de reforma.


Na véspera, Chega e governo deram a aprovação como certa. A surpresa foi geral quando o CH votou contra. Porém, em 23 de Maio, na apresentação, em Viseu, do livro de Manuel Afonso, “Rebenta a Bolha!”, no debate que se seguiu, manifestei as minhas dúvidas sobre a aprovação do “pacote anti-laboral” pelo Chega, porque nas jornadas parlamentares, em Viseu, Ventura disse aos deputados, apoiantes e grandes capitalistas que os financiam, de que mais importante do que os princípios é chegar ao governo.

Na Antena 1, em 12.03.2026, Felicidade Vital, a deputada do Chega, esclareceu: “Esta reforma do Código do Trabalho é necessária”, “concordamos com o banco de horas individual e com os contratos de curta-duração”. Ventura esteve, desde o princípio, a favor do “pacote laboral” e contra a primeira greve geral que juntou CGTP e UGT. O sucesso das greves-gerais e das grandes manifestações da CGTP, levaram Ventura a repensar a táctica, mas a facilidade com que mudou de “linhas vermelhas” são a prova do seu oportunismo e falsidade.  

Ventura apoiou Abascal, do “Vox”, que incitou à fascista “caça aos imigrantes” em Múrcia, e criou, em 2020, o “sindicato” Solidaridad, (que já absorveu três dirigentes do extinto partido neonazi “Hacer Nación”), com o objectivo de “defender os trabalhadores dos sindicatos de esquerda e da sua ideologia da luta de classes”.

“Porém, ela move-se” – a luta de classes – e foi a mobilização e a luta dos trabalhadores portugueses e dos seus sindicatos que levaram ao chumbo deste pacote anti-laboral!

 

 

Carlos Vieira

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Publicado em Opinião