O coro da desmemória

“Viseu merece uma Câmara mais eficiente, mais ágil e mais célere na resposta aos munícipes e às empresas, não uma Câmara maior.” Ora, se em 6 anos o número de funcionários passou de 814 para 1500, ou seja, quase dobrou, que clamantes vozes se insurgiram?

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  • 9:08 | Quinta-feira, 25 de Junho de 2026
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A Comissão Política de Secção do PSD Viseu liderada por Pedro Alves, deputado e ex-presidente da Viseu Marca, lançou um comunicado insurgindo-se assertivamente contra o que diz ser a criação na CMV e SMAS de uma “megaestrutura administrativa com aumento enorme de despesa em cargos dirigentes.

Diz-se profundamente preocupada, invocando a “falta de fundamentação estratégica, estudo de impacto organizacional ou demonstração objetiva dos benefícios para os viseenses”.

Coisa nunca vista, alude, “Trata-se de uma das maiores expansões da estrutura dirigente alguma vez propostas no Município de Viseu.


Nós, os munícipes, saudamos esta “prova de vida” do PSD Viseu, elogiamos a inquietação, gabamos a aflição, louvamos o desassossego. Aliás, já não era sem tempo, pois após mais de 40 anos de governação social-democrata, com 1500 funcionários na autarquia e 210 no SMAS, é mais que natural esta tardia apreensão, que bem demonstra o elevado sentido de responsabilidade na gestão da coisa pública por parte de Pedro Alves e da concelhia laranja que dirige.

Pensamos até que seria eventualmente clarificadora uma auditoria à maioria dos concursos levados a cabo pela Câmara Municipal de Viseu nestas quatro décadas, com os quais, ao que se saiba, nunca tal “angústia” ocorreu.

Nem ousamos crer que a lúcida estrutura local do PSD posso usar de dois pesos e duas mediadas na análise de situações como as referenciadas, que visam dotar os quadros camarários e do SMAS com novas e modernas estruturas dirigentes pois, entre outras mudanças, nos últimos tempos, o Estado transferiu para a autarquia a responsabilidade  sobre as escolas, a saúde, a habitação e a acção social, o que, naturalmente, obriga a uma reformulação das estruturas dirigentes que, com tudo isto, potencia os quadros existentes com aproximadamente 30 cargos, entre direcções municipais, direcções de departamento e divisões municipais.

Pensamos que esta forma de fazer oposição é mais demagógica que coerente e fundada em pressupostos sérios e consistentes. Será mais uma forma de populismo – tão na moda actualmente – visando gerar descontentamento e animosidade contra o executivo recém eleito, pois ao mexer com estruturas anquilosadas mas “fiéis”, o PSD local receia ser ultrapassado na sua plenipotenciada organização, construída ao longo de 40 anos de poder local.

O comunicado da Comissão Política de Secção do PSD Viseu, remata-se assim:

“Viseu merece uma Câmara mais eficiente, mais ágil e mais célere na resposta aos munícipes e às empresas, não uma Câmara maior.”

Ora, se em 6 anos o número de funcionários passou de 814 para 1500, ou seja, quase dobrou, que clamantes vozes se insurgiram?

 

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Publicado em Opinião