Cristiano Ronaldo: O dinossauro que não queria a extinção

A culpa é dele? Não, a culpa é da biologia. Quarenta e um anos num jogador que sempre se caracterizou, a par da técnica, pela força física e pela rapidez, fazem mossa.

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  • 17:08 | Sexta-feira, 02 de Outubro de 2026
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O assunto do momento é Cristiano Ronaldo.

Quanto a isso, sejamos sérios e honestos: nos últimos anos Cristiano Ronaldo tem apresentado um rendimento que não está à altura das exigências da alta competição.

A culpa é dele? Não, a culpa é da biologia. Quarenta e um anos num jogador que sempre se caracterizou, a par da técnica, pela força física e pela rapidez, fazem mossa.


Por isso a seleção, no último Mundial, sempre jogou com dez. Essa é a realidade. Era triste ver como Ronaldo tentava, tentava, mas não dava. Numa bola perdida, faltava-lhe a força extra para lá chegar. Aos defesas contrários bastava-lhes encostar para que ele fosse derrubado. Em corrida, nunca conseguia impor-se a ninguém.

Só não viu quem não quis ver.

A seleção nacional há muito que tem sido um conjunto de Ferraris com um Fiat 500 na frente, e isso tem condicionado a prestação de toda a equipa.

A questão central nesta discussão é que há pessoas que não sabem quando têm de sair. Nem todos possuem a necessária lucidez para perceberem que esta vida é uma passagem e que, inevitavelmente, têm de dar lugar aos outros, aos mais novos, aos que ainda sonham, aos que têm uma maior adaptabilidade e força para os desafios que se lhes colocam.

Transpondo isso para a política, também o PSD, em Viseu, teve o seu Cristiano Ronaldo. Alguém que se recusou a sentar-se no banco e que, por isso, levou uma solução até ao limite. O resultado foi a queda. Não quero menosprezar a qualidade e o esforço evidenciados pela candidatura de João Azevedo, mas a insistência em Fernando Ruas ditou, em grande parte, o desfecho que se conhece.

Por seu lado, o Sátão também esteve perto de um cenário semelhante. Não fosse, mais uma vez, a incapacidade demonstrada pela oposição, sempre dividida, um saco de gatos onde ninguém se entende, o PSD local teria tido o mesmo destino.

Ainda assim, no Sátão é difícil encontrar um paralelismo com a seleção, onde a saída de Cristiano Ronaldo abre a porta a outros jogadores de qualidade, como Gonçalo Ramos ou João Félix.

Na verdade, após um início completamente apagado, os débeis sinais da oposição dão a sensação de que a estratégia seguida é a de esperar que o PSD caia de podre e acabe por implodir, e que o poder aterre no colo de quem estiver no sítio certo, à hora certa, para o receber.

Isso, a acontecer, significará que aos satenses não ficará reservada qualquer escolha, na medida em que serão os próprios acontecimentos a ditarem o rumo das coisas.

 

Marco Girão

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