As trapalhadas do ME

... os custos elevados - mais de 7 milhões de euros -, a falta de transparência - não se sabe o nome das empresas a quem coube a concepção e implementação do programa...

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  • 13:19 | Segunda-feira, 06 de Julho de 2026
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Vamos aos factos: o colapso digital, os custos elevados – mais de 7 milhões de euros -, a falta de transparência – não se sabe o nome das empresas a quem coube a concepção e implementação do programa – o caos logístico para os professores, a alteração do calendário para a fixação das pautas e para a segunda fase de exames.

Em tempos de ” Tour de France”, é uma alta montanha para escalar. Esta é a fotografia do momento. Uma alteração radical de procedimentos, com um risco relativamente alto de falhar, e mexendo com a vida de milhares de famílias exigia um teste rigoroso e a audição de quem participou nas suas diversas fases de implementação.

Querendo mostrou novidades, o arauto espalhou-se na sala das porcelanas chinesas. Não o fazer foi uma leviandade política, coisa de aprendizes. O que, se tivesse havido mais engenho e menos arrogância, podia ser pacífico e correr sobre rodas oleadas, tornou-se num laboratório de plataformas com um elevado potencial de sobressaltos e colapso.


A incensada e glorificada correcção digital das provas de exames nacionais exigia um trabalho prévio que garantisse rapidez, imparcialidade e rigor. Atrasos no arranque, falhas na atribuição de provas, professores sem provas distribuídas, queixas fundadas de professores classificadores, falhas na digitalização, responsabilização das escolas, são episódios rocambolescos do imenso atoleiro em que o processo se transformou.

A forma como o ministro lidou com o problema, minimizando a sua gravidade e extensão, revela défice de sensibilidade política e autismo severo. O modo como se dirigiu às famílias afectadas, dizendo que deviam estar preparadas para as incertezas deste período, demonstra uma preocupante falta de humildade.

A distribuição de culpas que o ministro, com voz estrepitosa, protagonizou foi embaraçante e descabida. Quando se esperava liderança, firmeza e uma assumpção de responsabilidades, assistiu-se ao inverso. O capitão da barcaça, com a barca a afundar-se, apontou o dedo aos homens dos remos. Um líder não se esconde nem enjeita culpas. Tudo o que o ministro, na pressa de limpar a fatiota e ajeitar a melena, não fez. Não há segunda oportunidade para causar uma boa impressão. Podendo ter sido um ministro competente – porque erros sempre os haverá, e só não erra quem não faz -, optou por ser um governante mais preocupado em defender a sua causa, mesmo que as falhas sejam gritantes e ao alcance de uma inteligência média.

Em época de “Mundial” não passaria da fase de grupos. Por tudo isso, este ministro é politicamente inábil e desajeitado. Um “bluff”.

 

Rebelo Marinho

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Publicado em Opinião