Vamos aos factos: o colapso digital, os custos elevados – mais de 7 milhões de euros -, a falta de transparência – não se sabe o nome das empresas a quem coube a concepção e implementação do programa – o caos logístico para os professores, a alteração do calendário para a fixação das pautas e para a segunda fase de exames.
Em tempos de ” Tour de France”, é uma alta montanha para escalar. Esta é a fotografia do momento. Uma alteração radical de procedimentos, com um risco relativamente alto de falhar, e mexendo com a vida de milhares de famílias exigia um teste rigoroso e a audição de quem participou nas suas diversas fases de implementação.
Querendo mostrou novidades, o arauto espalhou-se na sala das porcelanas chinesas. Não o fazer foi uma leviandade política, coisa de aprendizes. O que, se tivesse havido mais engenho e menos arrogância, podia ser pacífico e correr sobre rodas oleadas, tornou-se num laboratório de plataformas com um elevado potencial de sobressaltos e colapso.
A forma como o ministro lidou com o problema, minimizando a sua gravidade e extensão, revela défice de sensibilidade política e autismo severo. O modo como se dirigiu às famílias afectadas, dizendo que deviam estar preparadas para as incertezas deste período, demonstra uma preocupante falta de humildade.
A distribuição de culpas que o ministro, com voz estrepitosa, protagonizou foi embaraçante e descabida. Quando se esperava liderança, firmeza e uma assumpção de responsabilidades, assistiu-se ao inverso. O capitão da barcaça, com a barca a afundar-se, apontou o dedo aos homens dos remos. Um líder não se esconde nem enjeita culpas. Tudo o que o ministro, na pressa de limpar a fatiota e ajeitar a melena, não fez. Não há segunda oportunidade para causar uma boa impressão. Podendo ter sido um ministro competente – porque erros sempre os haverá, e só não erra quem não faz -, optou por ser um governante mais preocupado em defender a sua causa, mesmo que as falhas sejam gritantes e ao alcance de uma inteligência média.
Em época de “Mundial” não passaria da fase de grupos. Por tudo isso, este ministro é politicamente inábil e desajeitado. Um “bluff”.
Rebelo Marinho