As sondagens são o que são e valem o que valem.
Nesta pré-campanha eleitoral, elas foram tão díspares, tão contraditórias, a colocarem os quatro candidatos em tão diferentes posições, alternando no lugar cimeiro, numa escadinha certa, que mais parece terem sido “plantadas”, com o propósito perverso de subtilmente influenciarem os eleitores.
Ou então, mais benevolamente, admitir-se como cenário razoável serem o fruto de uma de duas circunstâncias – incompetência das empresas ou uma grande oscilação das tendências dos eleitores.
A crer nesta última, porque para a primeira não tenho dados técnicos que o permitam confirmar, onde estará a origem dessa flutuação? Nos debates? Na falta de um candidato carismático? Na pouca firmeza de alguns moderadores que não tiveram mão no curso dos confrontos verbais, por vezes excessivos? Talvez em um pouco de tudo.
Tenho saudades desses tempos e de tudo o que nos prendia à televisão, seguindo a narrativa a preto e branco, com uma devoção quase religiosa, num silêncio processional.
Por defeito meu, certamente, não colhi quaisquer benefícios desta ensaboadela de pré-campanha. Foi dinheiro mal gasto. Mas como esta pequena árvore não faz a floresta, aceito, sem regatear, que muitas almas terão agradecido a simpatia das diversas televisões, prenhes de boas intenções, e terão enriquecido o seu conhecimento.
Entretanto, se nada mudar, tudo correrá como o previsto. A 18 de Janeiro, veremos se na balança dos votos vencerá a magistratura de influência ou a de interferência, pois a isso – não é pouco – se reduz a próxima eleição. E vou adormecer com a dúvida que há muito me atormenta: o PR perderá autoridade institucional e legitimidade democrática, se a escolha resultar de uma eleição indirecta?
Que um bom sonho me acompanhe nesse caminhar de incertezas.