Viseu: o “Silly Valley” do Dão

Há autarcas que muito lutam para fazer e conseguem-no. Outros há que gastam as energias (e o erário) a dizer que fazem. E ainda há quem vá nesta labieta, neste “déjà-vu” recorrente e ressuscitado para um 2021 já próximo.

  • 22:04 | Domingo, 24 de Maio de 2020
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Um semanário nacional traz uma notícia (ou será publicidade paga?), com o título “Viseu está a tornar-se um polo de inovação do interior”.

Por ela ficámos a saber as maravilhas do costume, das centenas de jovens engenheiros que descobriram este “Silly Valley do Dão”, das 18 empresas que, de súbito, acharam este solo pródigo e fértil… da riqueza e empregabilidade que vieram trazer à Senhora da Beira. As 18 empresas que já dariam para criar nova Associação Tecnológica e Empresarial de Viseu, as quais, com as facilidades concedidas na redução das despesas operacionais e nos salários dos colaboradores, em breve poderão ser uma centena, ou mais. Ou mais.


Já há dois anos, salvo erro, análoga notícia tinha algures saído com pompas e charangas. Todos folgámos muito em saber desta revolução tecnológica que nos trouxe call centers e massa crítica a fixar-se às centenas, produzindo riqueza aos milhões.

De facto, e para além das engenhosas e costumeiras anedotas em que o departamento de propaganda camarário é pródigo, o que muito apreciaríamos era que toda esta inovação fosse de facto real e que a nossa cidade se tivesse tornado um polo de atracção de empresários portadores de mais-valia, empregabilidade e de matéria cinzenta que gerasse riqueza e fecunda fixação.

Este quase milhar de jovens e promissores quadros afinal está onde? Que potencialidades trouxeram realmente estas empresas ao concelho?

De facto, não consigo responder e desejava muito ter uma resposta que fosse dissipadora de dúvidas e não mera retórica publicitária apenas geradora de ilusões, expectativas e fama… mas sem proveito palpável.

Há autarcas que muito lutam para fazer e conseguem-no. Outros há que gastam as energias (e o erário) a dizer que fazem. E ainda há quem vá nesta labieta, neste “déjà-vu” recorrente e ressuscitado para um 2021 já próximo, para o qual é imperioso tentar mostrar que dois mandatos (oito anos) conseguiram concretizar, ao menos, uma ou duas das dezenas de promessas eleitorais falhadas, feitas e refeitas.

Nota final: sendo 700 os jovens qualificados entretanto empregados… onde se fazem sentir na cidade? O leitor já se apercebeu? Eu ainda não. Mas como saio pouco não é de estranhar.

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