O governo brasileiro militariza-se

Há uma constante dança de cadeiras entre ministros que não aquecem o lugar, polícias que não são nomeados se não forem “amigalhaços”, dirigentes em altos cargos que não pertençam à “família” do tipo siciliano.

  • 23:00 | Quinta-feira, 21 de Maio de 2020
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Jair Messias Bolsonaro, o capitão presidente do Brasil, aparenta uma grande dificuldade em lidar com quantos têm pontos de vista diferentes e não deferentes da sua postura autocrática.

Talvez por isso, há uma constante dança de cadeiras entre ministros que não aquecem o lugar, polícias que não são nomeados se não forem “amigalhaços”, dirigentes em altos cargos que não pertençam à “família” do tipo siciliano. De onde virá o apelido Bolsonaro?

No ministério da Saúde tem sido um rodopio e não há ministro com uma réstia de seriedade que por lá permaneça. Assim, fazendo jus a uma longa tradição latino-americana, o Messias “botou generau” na Saúde, área a braços com uma tragédia epidemiológica sem precedentes, agravada por um desnorte e incompetência trágicas em lidar com o Covid 19.

Eduardo Pazuello é o nono ministro de origem militar a passar pelo governo de Bolsonaro e foi nomeado porque o seu antecessor, Luiz Henrique Mandetta, foi exonerado por ter discordado de Bolsonaro em matérias da sua competência e perante a inconsciência e ligeireza (criminosa ?) manifestada pelo presidente.

Entretanto, o novo general-ministro logo nomeou mais 13 militares para o acaudilharem. Levarão com eles as metralhadoras Taurus, as M4A1, as ParaFAL e as Imbel MD97? Ou apenas as Glock 17?

Na América Latina há uma forte tradição de generais a tratar da saúde dos cidadãos.

A lista é interminável, assim como não tem fim o longo rol de assassínios, violações, torturas e todas as demais torcionárias acções destes sangrentos algozes.

Uma curta lista de generais, com duas excepções de posto:

Rafael Videla, Alfredo Stroessner, García Meza, Hugo Chavez (tenente-coronel), Ríos Montt, Péron (capitão), Féliz Uriburu, Arturo Rawson, Marcos Pérez Jimenéz, Pedro Ramirez, Augusto Pinochet… e muitos outros.

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Publicado em Editorial