Vem aí mais bordoada…

por Paulo Neto | 2014.09.17 - 10:13

 

Seguro tem produzido ideias (?) a metro e ao quilo. Pena é que não as tivesse tido antes e não tivesse ousado lutar por elas e pela sua implementação. A última é a da redução do número de deputados, de 230 para 181, no respeito pelo “princípio da proporcionalidade”. Batemos palmas com as duas mãos. Sempre achámos serem “trabalhadores a mais para tão magra seara”… Pena é surgir a proposta com a única intenção de mostrar agenda activa a meia dúzia de dias do seu confronto final com Costa. No mesmo pack propõe ainda uma “efectiva fiscalização das veracidades das declarações de património e rendimento apresentadas.” Tal deixa no ar a ideia de que até aqui muitas falcatruas se terão eventualmente perpetrado… E nós nunca acreditaríamos que um deputado da Nação fosse disso capaz. Assim, bom seria que fizesse a consubstanciação da medida com alguns exemplos práticos. Ou não é capaz e é tudo um “fogo-faralho pou épater le bourgeois”?

 

Coelho partiu ao ataque do “inimigo”. Para reduzir a despesa, cobardemente, ataca de novo os funcionários públicos e o Estado Social. Já neste salário de Setembro, todos quantos ganharem ilíquidos mais de 1.500 euros (líquidos à volta de 1.100 euros) vão ter o seu corte de 3,5%. É a solução para o chumbo do TC, justifica-se. Quanto ao Estado Social que Coelho aniquilou, a grande questão é: Para que pagar impostos quando nada começa a existir no pressuposto da reciprocidade e quando os impostos deixaram de existir no seu princípio justo e fraterno de ajudar os que menos têm?

Serão os funcionários públicos portugueses os inimigos da Economia? Os geradores da dívida? Os criadores das mega-fraudes bancárias? Os culpados das derrapagens das PPP? Os incitadoras das megalomanias de alguns autarcas? Os maus gestores dos milhares de milhões (que há que pagar) vertidos por uma Europa que nos quer de cócoras? e etc. e tal…

Este é o governo dos ricos que estão mais ricos e contra os pobres que aumentaram e os quási-pobres da classe média, todos embrulhados numa mesma indigência confrangedora.

Coelho amigo, os mercados estão contigo! A eles hás de ir pedir os votos…