Truques vivazes

por Paulo Neto | 2016.04.29 - 13:00

Almeida Henriques deixa chegar a cidade de Viseu a um estado pré-caótico por forma a que os mais atentos e audazes lhe chamem a atenção, o repreendam, lhe dêem um “puxão de orelhas” para, passando uns tempos, fazendo de conta que não ouviu o reparo, vá de sua própria iniciativa consertar o que lhe “mandam”.

Mais, aproveitando o ensejo para fazer da incúria obra feita. Logo, levando atrás de si a corte dos holofotes para filmarem e fotografarem in situ, o excelso e magnífico autarca a curar pela qualidade de vida de Viseu e dos viseenses.

O Rua Direita anda há mais de um ano a alertar para a profusão de veículos abandonados na via pública e suas consequências, perante a indiferença e a negligência de quem de direito, que deixou chegar o desleixo a um ponto iniludível de saturação. Perante os artigos escritos – deveremos ser os únicos “adjuvantes-funcionários” camarários que trabalhamos pedagogicamente e de borla – deixam passar o tempo do “nojo” para não parecerem uns “zéquinhas” bem-mandados, e lá vão à carga. Muito bem, o que importa é ter a humildade de reconhecer os erros e as deficiências.

O fantástico é a forma de reverter o assunto em seu favor…

E aqui, tiramos-lhe o chapéu, pois é ilusionismo puro fazer da inépcia obra.

E aqui estará, provavelmente, a maior qualidade deste Executivo e da sua corte de bem-pensantes assessores do mais alto coturno neuronial.

Ele é a SIC a filmar os prestimosos Duponts, ele são os diários do burgo a “dar” primeiras páginas à grande obra, ele há-de ser o CM a fazer uma longa-metragem sobre o assunto.

Pela nossa parte, damos 19 a tão bons alunos e vamos pô-los no quadro de honra. Demoram um tempito a aprender mas, quando a lição lhes entra crânios adentro, soletram-na de cor, da frente para trás e de trás para a frente, num quase psitacismo harmónico.

Faz-nos lembrar a governança de Coelho&Portas, que de todos os desaires – e foram às centenas – fazia a 8ª maravilha do mundo.pesca1

E aqui, caros leitores, estará talvez a essência do bom autarca/governante: engodar o anzol com boas e gordas minhocas, tornando o isco apetitoso. O peixe que o morde ligeiro só dá pelo ardil quando tem o ferro cravado fundo na glote.

E a jeito de remate, o RD não vai à pescaria depois e a convite. Vai antes e por sua própria iniciativa.

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