A Questão Viseense: entre “mamarrachos” e “holofotes”…

por Paulo Neto | 2016.04.30 - 14:11

Anda no ar a polémica sobre o edifício da Segurança Social de Viseu. E muito bem. É sinal de que ainda não andamos todos amodorrados a uma sonolência distraidamente consentânea com as recorrentes alarvidades camarárias.

Goste-se ou deteste-se o edifício do arquitecto Amoroso Lopes, parece-nos tardia qualquer declaração de amor ou ódio, quase meio século após a sua construção.

Muitas vozes se levantaram à época clamando contra a agressão visual que representava. Contra a desconformidade daquela paralelipípeda morfologia. Contra a sua desmesura. Que tapava as torres da Sé. Que amesquinhava o Rossio… De tudo se ouviu.

Agora e sempre pelas mais nefastas razões/motivações, dois anos após o seu “recondicionamento” externo, Almeida Henriques, na foleirice aparolada costumeira, lembrou-se – ou um dos sábios-conselheiros com tal sonhou – de fazer um “bonitinho” a escorrer fachada abaixo, com muita cor, exuberante arabesco e, decerto, muito cara “pintalgadela”.

Para quê? Naturalmente para chamar a atenção dos subservientes e ávidos “médias” e ter a fugaz projecção efémera de um dia inteiro como alvo das atenções nacionais. Quanto custa? Não interessa! Haverá outras prioridades – mormente sociais – para os dinheiros públicos? Decerto que sim, mas não chamam a turbamulta do bruaá…

Almeida Henriques parece ter uma noção de gestão autárquica centrada no atordoamento do pagode com muito fogo-faralho e pouca ou nenhuma substância. E como “com papas e bolos se enganam os tolos”… lá pensará que assim, promovendo-se, de uma cajadada mata uma ninhada de laparotos.

Se o projecto inicial do prédio em causa, por muitos apodado do “mamarracho”, que e segundo o Priberam da LP, é uma “obra ou edifício demasiado grande, disforme ou mal executado”, não era este resultado final, deve ter o direito a ser contextualizado numa época e, como já atrás referimos, todas estas décadas volvidas, não sendo “vaca sagrada” da arquitectura urbanística local, não deve ser “vandalizado” para servir dúbios interesses inconfessados.

Não está em causa a competência artística do “grafiteiro” convidado para o Festival Street Art 2016, Agostino Lacursi, antes a leviana ligeireza (passe o tautológico) como se decidem coisas de uma amplitude colectiva, por mera lembrança de um qualquer cortesão-conselheiro-iluminado.

Ademais, e aqui está um “bico-de-obra”, como sempre, Almeida Henriques, na sua insensata ansiedade, esqueceu-se que o edifício em questão é Património do Estado, propriedade do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, de cuja autorização carece para a obra em causa.

Será que Vieira da Silva vai dar para o “peditório” promocional de Almeida Henriques, contribuindo, assim, para lhe acender em cima os luminescentes holofotes e “comprando” uma polémica que só lhe trará fel à boca?

Corre uma petição pública sobre o assunto. Aqui se deixa ao critério do estimado leitor