Tiago Brandão Rodrigues é um bom ministro da Educação…

por Paulo Neto | 2016.11.03 - 12:13

 

 

… corajoso, pegou em dossiers muito “calientes” e tentou dar-lhes a resposta adequada.

Que dossiers foram esses? O dos colégios internos e o das grandes editoras de livros escolares.

Logo, feriu dois “mercados” onde há interesses materiais de muitos milhões de euros.

Daí, a própria Igreja, por detrás de muito do ensino privado e o lóbi das editoras, lhe terem declarado uma guerra aberta.

Evidentemente que o ministro Brandão Rodrigues não é um homem ingénuo, tonto ou desprevenido. Pelo contrário, aparenta ser um político consistente, consciente, sereno e lúcido. Assim, não arredou pé na sua luta e persiste em pôr fim a duas das “vergonhas” que inquinavam esta área e muito lesavam os contribuintes portugueses e as famílias dos alunos, nos casos dos manuais escolares. Tornou-se, pois, um homem a abater.

Aquilo para que Brandão Rodrigues não parecia estar preparado – quando a “luta” é externa não se espera tê-la no próprio gabinete – foram as “deslealdades” e trauliteirices mediáticas cometidas por chefes de gabinete e secretários de Estado.

Sabemos que não foi muito feliz na escolha de um tal Wengorovius Meneses, que se demitiu a sujar a água que bebia. Mas também já não tinha sido feliz na nomeação de João Paulo Rebelo para a Juventude e Desportos, que carreava às espaldas alguns telhados de vidro, do tempo que passou pela Movijovem.

Ler aqui:

https://www.publico.pt/politica/noticia/da-movijovem-para-a-tutela-com-varios-percalcos-de-negocios-1729125

Lembremos ainda que João Paulo Rebelo, quando foi eleito deputado pelo PS Viseu, deixou uma empresa local, da área da comunicação social, onde era sócio de Francisco Rebelo – que foi ou ainda é administrador ou gerente do Grupo Lena Comunicações – e de João Cota Rebelo, “pontífice” – independente ou não – do PSD local e número dois da Assembleia Municipal de Viseu, pelo partido “laranja”. Coincidências. Talvez por serem todos “rebelos” de apelido.

O outro, o chefe de gabinete, assessor ou lá o que era, é peixe menor, senhor de duas curriculares licenciaturas que eram de “brincadeira”, ou de “plástico“. Uma vergonha inqualificável e uma deslealdade vergonhosa.

Talvez Brandão Rodrigues pouco tenha a ver com a nomeação política de Wengorovius e de Rebelo e estes tenham sido escolha forçada pelo “lobismo” interno do PS. Talvez. Tão insondáveis quanto os desígnios do Senhor, são-no os corredores da “politiquice” de oportunidade.

Porém, certo é que a excelente “cruzada” deste ministro merecia melhor rectaguarda, depois de por aquela pasta terem passado “colegas”de muito má memória, do PS ao PSD.

Mas mais que merecer melhor, tinha direito a contar, nas fileiras que comanda, com capitães adjuvantes a marchar para diante e não “tropa-chica” oponente, a marchar para trás.