The D-socialista day

por Paulo Neto | 2014.09.28 - 11:39

 

 

Pois. É hoje que tudo vai mudar ou não no seio do partido socialista.

Há uma dúvida no ar: os simpatizantes inscritos fizeram-no por um impulso de momento ou por uma arreigada convicção da necessidade de votar? Para onde os leva essa convicção? Para dar continuidade à liderança de Seguro ou para o substituir por Costa? O Porto é o distrito com mais inscrições: 37.450. Segue-se-lhe Lisboa com 35.785 e Braga com 10.098. Todos os outros ficam abaixo dos 5 dígitos, tendo, por curiosidade, Viseu registado 5.697 cidadãos.

O que pode ter levado um cidadão não militante a inscrever-se para votar? A necessidade imperiosa de uma mudança? Uma solidariedade assumida por Seguro? Um acto de cidadania interventiva ad latere dos partidos políticos? Um fugaz élan momentâneo que no momento de votar desaparecerá, traduzindo-se numa abstenção cómoda?

A novidade do cenário leva-nos à imprevisibilidade do resultado. Os “partisans” de Seguro andam com um ataque de actividade desusado e com uma actividade incomum a fazer lembrar o fervor rotativo de regeneradores e progressistas nos derradeiros anos da monarquia. Costa, sem a estrutura partidária tão “dominada” e numa calma vitoriosa baseada em sondagens de opinião de cuja eficácia desconhecemos a precisão, cavalgou a onda com mais bonomia, deixando aos seus mandatários e directores de campanha dos diversos distritos a eficácia da actuação.

Se António José Seguro reitera a imperiosidade “de se mudar a forma de fazer política em Portugal”, neste momento, assemelha-se à Bela Adormecida, acordada de um longo sono de três anos, de olhos arregalados para a realidade envolvente. Acordou tarde e em três anos mostrou uma liderança frouxa. Só agora, perante a possibilidade de alternativa, ganhou algum ímpeto, mais dirigido a Costa do que àquele para quem nunca lhe deveria ter faltado: Passos Coelho.

Costa foi ao Porto fechar o ciclo de campanha. Seguro foi a Vila Nova de Gaia, terceira maior autarquia do país, durante anos feudo de Luís Filipe Meneses com os resultados catastróficos que julgamos conhecer.

Qualquer que seja o resultado, a pré-adesão dos portugueses às eleições primárias é um “ facto histórico na política portuguesa”. Agora resta saber qual a adesão e qual a consciência cívica de todos os simpatizantes. Sabê-lo-emos às 20H00 de hoje. Para já, os números são estes:

Simpatizantes : 151.577;

Militantes : 93.112;

Mesas de voto : 700;

Fiscais : 4.000