Terras do Demo

por Paulo Neto | 2014.01.25 - 00:01

 

O autarca-mor de Viseu, Almeida Henriques está imparável com o seu “goebbelstype” sempre em acção. Depois da grande campanha da 1ª água, ele aí está com coluna assente em diário nacional. Terras do Demo o inspiraram. E de 1919 a esta data, a intemporalidade de Aquilino assim se esteia e estamos já certos, que o edil está aceleradamente a destrinçar a urdidura da obra para poder falar sobre a matéria com a convicção e acerto de sempre.

Muito acreditamos neste autarca que já de sul conquistado ao norte se adianta.

Perdida a CIM Viseu Dão Lafões as do Douro não o vencem. E se nas Terras do Demo Cristo nunca rompeu sandálias, AH, timberlands calçadas até à canela, vai de cerro em serro, intrépido e determinado.

Se el-rei ali não gastou chumbo em caça apredizada, temem-se os javalis que fossam nos trigais e os lobos que uivam dos fraguedos do Vouga, perante o apóstolo a catequizar esses “indivíduos rudes e essas aldeias montesinhas, bárbaras e agrestes”. Páginas se esperam a “rescenderem ao tojo e ao burel” neste descer da “arte sobre a bronca, fragrante e sincera Serra” activando “o desquite entre a nossa língua e essa literatura desnacionalizada, francinote, de que se atulha a praça.

Uma renascença literária” e nunca menos, teremos nós às terças-feiras, onde o QREN virá à fala “com os zagais nos silenciosos montes” e a arte de bem servir a coisa pública renovará num ápice “o velho carro gótico nos mais velhos caminhos romanos” mesmo que os tempos não escoem “estes terríveis dias de peste, fome e guerra…”

 

O outro rosto do sucesso

 

Este é um título triste. Se o sucesso tem reverso, será o do infortúnio. Vem isto a propósito de um desesperado post lido no facebook, de uma voluntária na ajuda aos sem-abrigo de Lisboa. Diz exactamente isto, com a devida vénia:

 

“Patrícia Sá Carneiro a sentir-se triste

Hoje calhou-me a tarefa de distribuir pão. Fi-lo a uma velocidade estonteante, as pessoas atropelavam-se a pedir-me pão, num cenário de miséria profunda. Distribuímos 205 kits alimentares, 205 refeições servidas na rua… Estou profundamente triste, desolada, e emocionada. Ao vir embora passei por um dos “nossos”sem abrigo a deambular alegremente na rua e a comer um naco de pão… Não é este o país que sonhei para os meus filhos! Para a semana estamos com o stock de comida em baixa, mais uma vez deixo o meu grito de alerta e peço com toda a humildade a quem poder ajudar: – leite, iogurtes, bolacha Maria, cebolas, batatas, legumes. Muito obrigado e desculpem o desabafo.ibuímos 250 kits alimentares; 205 refeições servidas na rua… Estou profundamente triste, desolada e emocionada. Ao vir embora passei por um dos “nossos” sem abrigo a deambular alegremente na rua e a comer um naco de pão… Não é este o país que sonhei para os meus filhos! Para a semana estamos com o stock de comida em baixa, mais uma vez deixo o meu grito de alerta e peço com toda a humildade a quem puder ajudar: – leite, iogurtes, bolacha Maria, cebolas, batatas, legumes. Muito obrigado e desculpem o desabafo.”

 

“As pessoas atropelavam-se a pedir-me pão”

“Cenário de miséria profunda”

“Estou profundamente triste, desolada emocionada”

“Não é este o país que sonhei para os meus filhos”

(…)

Mas este é o país real. Um país onde a miséria e a desgraça alastram. O país de Coelho & Portas e um país de sem-abrigos esfomeados penando na penúria da noite deste inverno frio, ajudados pelas mãos misericordiosas das “Patrícias” que não conseguem ficar indiferentes à realidade que a governança oculta, que saem de suas casas, de ao pé das suas famílias, ao fim de um longo dia de trabalho e vão para a rua, até de madrugada, matar a fome a quem a tem e partilhar as dores dos sofredores. Que o mesmo é dizer: sofrer com eles. Abençoado povo que tão maus governantes carreia às espaldas num suplício interminável pelos deuses dado em fado …