Tal Gama ao mar voltado…

por Paulo Neto | 2014.03.11 - 13:29

Jaime José Matos da Gama será um promissor banqueiro tardiamente descoberta a vocação de administrar no seu quintal insular o espírito santo, que é uma pomba branca e sagaz poisada no ombro de uma virgem pálida.

Apesar de em 2012 garantir ter como “grande ambição ser motorista dos netos, querer ter tempo para pensar, reflectir e ter uma vida distendida em relação à fruição de coisas simples”, Jaime José cansou-se em menos de dois anos. Ou pensou tudo o que tinha para pensar, reflectiu o que tinha a reflectir e distendeu o que havia a distender…

As vocações tardias se silenciadas em obsessões podem dar frustrações fraturantes. Arredado o intento de vir a ser presidente de Portugal, chairman em Fajã de Baixo, Ponta Delgada, tornou-se atraente, estimulante e um novo desafio aos 67 anos de idade. Se bem que assim, já não seja fácil levar a pueril descendência à escolinha, ao ballet, à catequese …

Prova também evidente do que dizem os ministros de Passos-Portas & Co. sobre a esperança e qualidade de vida deste poviléu madraço.

O tempo de pedreiro, professor, jornalista da democracia obreiro, deputado, ministro, sinistro* ilhéu de mares profundos, presidente da casa onde o povo fala e titular de cem medalhas, cruzes, grã-cruzes, colares, comendas, condecorações e prebendas, baqueou na tentação ou perdição de assumir ser só um serviçal do encardido capital.

Ou então, talvez a coerência seja apenas invisível à vista desarmada…

 

* de esquerda