Senhores candidatos, cadê vossos programas?

É evidente que muitos políticos o são mais de “vozes que de nozes”, que o mesmo é dizer, senhores de “muita parra e pouca uva”. O que muito contribui para o seu descrédito. Descrédito esse que muito parece espantá-los.

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  • 16:47 | Quarta-feira, 08 de Setembro de 2021
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A 18 dias das autárquicas andei em busca dos programas eleitorais de cada uma das 8 candidaturas à CMV. Por ordem alfabética:

BE

CDS


CDU

CHEGA

IL

PAN

PS

PSD

Esse compromisso com os eleitores, escrito para ser mais permanente do que as meras palavras “comicieiras” de momento, deveria ser fundamental para determinar as intenções de voto.

Não obstante, sabemos que é tradição para alguns apresentar programas muito interessantes como o “Viseu Primeiro”, de 2013 e 2017 e, depois de eleitos, não só ignorarem as promessas como também, num oportunismo de circunstância, fazerem o que nunca disseram aos eleitores que iriam fazer. Também há quem lhe chame logro ou ilusão. Mas isso já é outra conversa…

É evidente que muitos políticos o são mais de “vozes que de nozes”, que o mesmo é dizer, senhores de “muita parra e pouca uva”. O que muito contribui para o seu descrédito. Descrédito esse que muito parece espantá-los.

Ainda assim, um mérito têm esses putativos compromissos: persistirem e perdurarem no tempo e permitirem fazer a apreciação do cumprido e do incumprido. Talvez por isso, ou disso cientes, os partidos concorrentes fujam de os apresentar como o diabo fugiu da cruz. Ou então, de forma muito gravosa, tão pouco ou nada têm como ideias programáticas para Viseu, que esperam ver o tempo passar, inexorável, assobiando para o ar e esperando que ninguém se lembre de os responsabilizar pela incapacidade de apresentarem um compromisso escrito e fidedigno para o Concelho.

Em boa verdade, este compromisso escrito ou programa eleitoral, nunca será lido, analisado, escrutinado pela grande maioria dos votantes, sendo-o apenas pelos eleitores mais críticos, aqueles que não vão atrás do fatalismo, das caras, dos nomes e das siglas partidárias, mas sim, se orientam, no bom rigor, pela razão, lucidez e capacidade de apreciação.

 

 

Entretanto, esperando como Godot, vou escrutinando nas redes sociais onde me aparecem, aqui e ali, algumas medidas avulsas, vou ouvindo nos comícios e nos debates as promessas acaloradas do momento e, como sou um cidadão optimista e com esperança, vou vendo na caixa do correio, se é que mereço enquanto eleitor essa atenção e até, em derradeiríssima instância, me disponibilizo a ir comprar os “opúsculos” à livraria da esquina, dando por bem empregados os 4 ou 5 euros que todos eles, juntos, poderiam custar. Para quê? Para votar em quem tem ideias concretas, exequíveis e palpáveis e ao fazê-lo perceber que exerci a minha cidadania de modo crítico, a pensar no Concelho e nos munícipes em geral, nas suas necessidades, nos seus anseios, nos seus desideratos e nos seus desígnios. É pedir muito?

Provavelmente, tudo isto não passará de uma mera utopia e os políticos, cientes de todos estes factores e suas variáveis, nestes elementares princípios se “borrifarão”. Mas, a ser assim, que respeito nos merecem, se tudo não passar afinal de mero engodo, ou isco para pegar barbo e boga?

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