“ Senhor ministro, não me deixe morrer! ”

por Paulo Neto | 2015.02.04 - 19:58

 

Por vezes, a enxurrada de porcaria oriunda da classe político-governativa é tão desmesurada que até a voz se nos tolhe e os dedos se enregelam, sem ser de frio.

 

Coelho recebeu hoje de um assessor de Varoufakis,  ministro das finanças grego, uma resposta educada ao seu inspirado “conto de crianças“.

Fez-me lembrar um autarca do nosso distrito que há dias, agastado com uma atitude de um ministro do CDS/PP, lhe mandou a resposta “afinada” pelo chefe de gabinete. De facto se dermos confiança a certa gentinha, quase nos igualamos a ela.

 

A direita anda com urticária por causa das acções de Alexis Spiras. Até no facebook se vêem essas reacções como se a hipotética saída da Grécia da “crise” pela mão de um partido de esquerda lhes fosse esvaziar as tulhas de cereais, comer o porco à salgadeira ou roubar o capão da capoeira.

Pois, eles comem as criancinhas ao pequeno-almoço, já me esquecia…

Qualquer cidadão, independentemente do seu credo, deveria regozijar-se se a Grécia desbravar caminho para ela e para outros países da Europa. Seja por mão de quem for; esquerda ou direita. Ver o problema de outro modo é de uma tacanhez tão lata que até arrepia. Parece um jogo Sporting-Benfica, com as claques assanhadas, a berrar impropérios ao árbitro e a mandar garrafas vazias para o relvado.

 

António Barreto declarou em entrevista desassombrada que “gostava de ver presos alguns banqueiros, empresários, administradores de empresas, ex-ministros, ex-secretários de estado, ex-directores gerais…”.

Também eu. E estou certo que para aí 90% dos portugueses.

Porquê? Porque é dessa corja que tem saído, como de um esgoto nauseabundo, a porcaria que a todos nós afecta.

 

Diabolizar foi uma táctica empregada pela ministra da Educação, a socialista Maria de Lurdes Rodrigues, para destroçar uma classe profissional: a dos professores. O sucessor, que foi um professor respeitado, mantém o leme no mesmo rumo. E desrespeitou-se.

Não apresentam um trabalho digno, sério e modelar na sua acção governativa — antes pelo contrário — mas são excelentes e perfeitos juízes em causa alheia. E então para “execuções públicas”, parecem fundamentalistas…

 

Um doente com hepatite C, hoje, na AR e em pleno debate, interpelou da bancada o ministro da Saúde. Um ser humano desesperado, mal tratado e desrespeitado nos seus direitos constitucionais, de saúde e cabeça perdidas, mostrou exaltadamente a sua agonia.

É fácil criticá-lo, é básico criticar qualquer homem de cabeça perdida. Talvez seja mais difícil criticarmos as causas que geraram o acto…

Que tem um homem a perder quando lhe estão a tirar a vida? Ou quando um seu ente querido perdeu a vida?

Um colaborador do Rua Direita, jovem profissional da Saúde, escreveu-o assim: “…até quando queremos pagar o custo da vida pelo preço da morte?”.

Que o Coelho responda…

 

Veja e ouça aqui o doente a interpelar o ministro:

http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/hepatite-c/senhor-ministro-nao-me-deixe-morrer

(Foto e link DR)