A Guerra da 4ª Geração

por Paulo Neto | 2015.02.03 - 16:47

 

Os Estados Unidos dominam o mundo como nunca nenhum outro império o dominou. Exercem uma supremacia esmagadora nos cinco domínios tradicionais do poder: político, económico, militar, tecnológico e cultural.” (…) “Uma única nação, os Estados Unidos, goza de um poder militar e económico sem rival e pode impor-se praticamente em todo o lado. Mesmo sem recorrer às armas nucleares, os EU podem destruir as forças militares de qualquer outra nação da Terra. Se quiserem, os EU podem impor uma ruptura social e económica a qualquer outro país. Nenhum país jamais teve poder semelhante nem invulnerabilidade comparável.”

Ramonet, I., Guerras do século XXI, Campo das Letras, 2002.

 

Deste texto de Ramonet até à actualidade dista mais de década e meia. Período de tempo que hoje é suficiente e determinante para mudar a face do mundo…

Os EU e os restantes países do mundo, nomeadamente os países europeus vêem surgir, hoje, novos conceitos de luta e de guerra.

O inimigo de hoje, o novo inimigo, tem duas características fundamentais:

É móvel e é transnacional – ou infranacional.

A Guerra da 4ª Geração, de conflito “stateless” é também designada como guerra assimétrica – conduzida por opositores cuja base pode não ser um Estado-nação, mas uma ideologia ou uma religião.

Por outro lado, o conceito de dissimetria é gerado pela diferença quantitativa entre as forças ou o poder dos beligerantes. Um Estado forte face a um Estado fraco. A assimetria incide nas diferenças qualitativas dos meios empregados, no estilo e nos valores (crenças) dos novos inimigos.

O novo inimigo não combate lealmente. Não tem meios para isso. Utiliza uma estratégia de vanguarda centrada no mundo globalizado, em todos os modernos meios de comunicação, de transporte e de informação. O terror psicológico, a influência dos médias tradicionais e a internet fazem parte do seu arsenal. Mesmo tendo uma base geográfica é impossível fixá-la de forma categórica. Não tem morada permanente e a sua rede está dispersa. O mundo é o seu endereço e o seu campo de operações.

Por seu turno, os opositores assimétricos têm uma força e um interesse comuns: o enfraquecimento da soberania dos Estados e o “boom” acelerado das forças do mercado.

Todas as grandes multinacionais se servem das zonas cinzentas dos países cujas estruturas jurídicas são “indigentes” – para se assegurarem um lucro máximo e escaparem às regras que decorrem da legitimidade constitucional e democrática dos Estados.

Todos são, nesse sentido, criaturas de uma mundialização neoliberal, usufruindo de margens de manobra e acção das quais os próprios Estados não dispõem.

Acabo expressamente aqui com reticências e com uma última frase-desafio: O novo inimigo pode ser quase “virtual”, mas levando a cabo acções bem reais…

Estes conceitos de geopolítica são altamente inquietantes e mutantes. Mas não nos faz mal reflectirmos um pouco, mesmo se superficialmente, sobre este conjunto de “deixas” aqui enunciado.

Acautele-se do frio!