Se o Fisco corresse na Volta usava a camisola amarela…

por Paulo Neto | 2014.08.07 - 13:00

 

Um terço dos custos da Volta a Portugal é pago pelas autarquias à porta das quais ela passa.

Ou seja, 1,5 milhão de euros saem dos bolsos dos contribuintes. Há-as a pagar mais de 250 mil euros pelo privilégio. Entre elas deve estar a de Viseu onde, desde dia 5 se instalou o caos na circulação urbana. Mas como a televisão filma, a imagem passada justifica todos os gastos do erário público e sacrifícios dos cidadãos que trabalham no dia-a-dia. Há retorno de todo este investimento? Decerto que sim. Não se quantifica é quanto e qual. De qualquer forma, seja com Volta ou futebol, é preciso desviar a atenção da calamidade pública que se vive em Portugal. E essa manobra de diversão ou “estupidificação”, em termos políticos, não tem preço. Povo entretido é povo manso.

 

O fisco vende e penhora 356 casas por dia, tornando-se na maior empresa imobiliária de Portugal. Este é o melhor indicador do estado de saúde da economia portuguesa, não lhes parece? Nos últimos 7 meses foram penhoradas e vendidas 49.150, ou seja, mais 75,5% do que em idêntico período do ano passado. Aquilo que o cidadão tem de mais precioso é a sua casa. Onde vive com a sua família, com seus filhos. Quando chega ao ponto, exaurido, vampirizado, de não poder pagar, o fisco, com uma agilidade e recursos que o Estado português não tem para (porque não lhe convém ter!) pagar as suas dívidas, executa e cria mais 356 desgraças por dia. É um bom score…

 

Nem todos perdem com o BES/GES… As empresas do costume, aquelas dos filmes tipo “O Lobo de Wall Street” têm ganho milhões. E elas têm nome: Marshall Wace LLP, TT International e Altair Investment Management… os tais fundos em investimentos de risco que investiram nos “hedge funds” e como num jogo de computador, apostaram na queda, a queda deu-se e eles ganharam. O vampirismo à escala mundial. O mercado da grande agiotagem internacional feito através de um click num botão de um computador. O compadre Zacarias diria: “Estudásses e fosses esperto…!”. Não se podem criticar. Vivem da asneira dos outros como um coveiro vive a cavar campas de quem morre. Ponto final. O problema está apenas num pormenor: como é que estes dráculas têm acesso às informações classificadas, altamente confidenciais e de alto nível de secretismo? Como a PT que vendeu 180 milhões de acções, as “más acções” que iriam cair no Banco Mau, uma semana antes de tudo se saber? É simples, dentro das entidades reguladoras há-de existir muita gentinha a tratar da vidinha. Eles vêm da banca e do mundo empresarial para ali e são sempre fiéis ao “dono” que os lá pôs como toupeiras de serviço. O presidente de uma grande agência de desenvolvimento e comércio internacional português não tem à frente um ex-deputado que era “ponta de lança” de Ricardo Espírito Santo, por exemplo? Esta é outra das falhas graves do sistema: deputados que servem vários amos e, sem regime de exclusividade, que deveria ser taxativamente obrigatório, não estarão na Assembleia da República para servir quem os elegeu mas para integrar Comissões ao serviço dos mais “estranhos e intrincados” interesses sabe-se lá de quem…