Salamanca a uns sara, a outros manca

por Paulo Neto | 2015.05.16 - 21:47

É antigo o provérbio e prende-se com a fama da sua Escola Médica muito procurada por estudantes portugueses no século XVI e seguintes. Muitos aí se doutoraram, como Amato Lusitano e Ribeiro Sanches. Outros de lá vieram pior do que foram, mas mais sábios em estarolice e boémia…

Aquilino revive-o em “O Malhadinhas”, o pícaro barrelense, mas Salamanca, cidade património da Humanidade é muito mais antiga e tem imensa História para visitar e contar.

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Hoje, pessoa amiga convidou-me a almoçar em Salamanca. A25 fora, os duzentos e vinte quilómetros de boa estrada, sem correrias, fizeram-se em pouco mais de duas horas.

Os salamantinos, aos sábados não madrugam. A noite da véspera é alongada… Mas por volta das 11 horas locais (10 portuguesas) já a Plaza Mayor — uma das mais belas da Ibéria — fervilha com uma imensa multidão. Esta grandiosa obra do barroco, é o ponto irradiante de toda a urbe e o núcleo agregador da “movida” local.

Com mais de 60 mil estudantes, a Universidade nascida em 1218 em plena Idade Média é geradora de uma economia próspera, com uma Academia prestigiada que atrai juventude dos quatro pontos cardinais.

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Mas Salamanca é também um concentrado património monumental riquíssimo e um espaço cultural e de lazer diversificado, propondo mais de sete dezenas de alternativas para os milhares de turistas que ao fim de semana pejam suas esplanadas, praças, catedrais, igrejas, conventos, museus, casas museu de escritores como a do glorioso Miguel de Unamuno, hotéis, restaurantes, bares e lojas comerciais. Lembro que o centro da cidade oferece mais de três dezenas de unidades hoteleiras de 5 a 3 estrelas, acrescidas de quatro parques de campismo e três albergues: o municipal, o da juventude e o dos peregrinos.

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Hoje havia uma Feira do Livro na Plaza. Com simplicidade e virtuosismo, a Orquestra Sinfónica Municipal tocava para os milhares de transeuntes, passeantes, turistas de todas as nacionalidades e estudantes que naquela gigantesca passerelle se movem com vitalidade, jovialidade, alegria e salero.

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Ao almoço, o difícil é escolher onde se comem as célebres “tapas” tanta e tal é a oferta proposta. Com meia dezena de variedades dessa petisqueta tão espanhola, águas tónicas e cafes solo, dois convivas quedaram-se satisfeitos por 9 euros (preço consentâneo com a depauperada bolsa estudantil…). Ninguém ficou mais pobre que o Lazarillo de Tormes…

 

Em suma, uma cidade com vida, asseada, restaurada com critério e rigor, percebe-se ali um fio condutor, cabeças assisadas e mãos diligentes. Atributos que e infelizmente não abundam por cá… nesta terra de “rotundeiros”, festeiros e floreiros.

ps: Salamanca é ainda um paraíso para os amadores de fotografia. Pela minha parte, hoje, foram só 4 gigas…