Quando os animais falavam

por Paulo Neto | 2016.08.11 - 14:19

Muge o bezerro, bodeja o bode, arrua o boi, orneia o burro, berra a cabra, ganiza o cachorro, blatera o camelo, rosna o cão, uiva o chacal, sibila a cobra, crocita o corvo, cucula o cuco, chia a doninha, pissita o estorninho, cacareja a galinha, gazeia a garça, bufa o gato, atita o gavião, grasna a gralha, ronca o javali, cuincha o leitão, ulula o lobo, guincha o macaco, zoa a mosca, zune a abelha, palra o papagaio, grassita o pato, pupila o pavão, galra a pega, grulha o peru, grunhe o porco, regouga a raposa, chia o rato, coaxa o sapo, silva a serpente, trucila o tordo, muge o touro, brame o urso, berra a vaca…

A Natureza, com a sua fauna tão variada, no seu plural falar, é prenhe de harmonia no seu clamor…

Conclui-se com uma Fábula de Esopo, para poder contar às criancinhas, com intuito pedagógico e moralizador:

caoo

Um cachorro costumava atacar sorrateiramente e morder os calcanhares de quem encontrasse pela frente.

Seu dono então, pendurou-lhe um sino na coleira, pois deste modo alertava as pessoas de sua presença onde quer que estivesse.

O cachorro cresceu orgulhoso e, pela trela do dono, vaidoso do seu sino, tlim-tlim-tlão, caminhava tilintando-o rua fora.

Apiedado da triste figura, um velho cão de caça então lhe disse:

– Por quê  te exibes tanto? Este sino que carregas não é nenhuma honra ao mérito, mas ao contrário, uma marca de desonra, um aviso público para que as pessoas te evitem por seres um falhado e triste cão raivoso…