Portugal das facilidades ou dos facilitadores?

por Paulo Neto | 2014.04.12 - 20:45

I.

Lia-se algures que Relvas, o ex-ministro e ex-doutor tinha mudado de vida. Agora era “facilitador de negócios”. Pensamos que está bem. Exceptuando o “agora”.

Portugal, como os países centro-africanos, tem o condão e o clima propícios a estas actividades e a estes activismos. Até deve haver já um programa com os conteúdos programáticos para a “coisa”, do género:

Entrar aos 12 anos numa “jota”; ser aguerrido até aos 18; integrar uma concelhia e/ou distrital; ser vogal de um concelho de administração; presidente de junta de freguesia urbana; assessor de um grupo parlamentar; secretário de estado de uma pasta qualquer;  ministro durante pelo menos seis meses…

E pronto, o dilúvio pode atingir a Terra que haverá sempre um lugarzinho à direita de Noé.

Se não lhes questionarem a licenciatura poderão acabar na OCDE, BCE, FMI ou Goldman-Sachs. O que, feliz ou infelizmente – depende do ponto de vista – não foi o vertente caso.

II.

peregrino

O meu S. Francisco – ao qual peregrino semanalmente – continua banhado pela imundície da incúria do respectivo pelouro da Câmara Municipal de Viseu. Tanta actividade, tanta estrénue agitação, tanto acessório para deixar o essencial ou a essência mergulhado em borradelas de pombo. A garrafa de água ao lado jacente não é da 1ª de Viseu, já apurámos com uma lente adequada ser de Penacova…

Viver Viseu é cuidar de Viseu. Não é este fogo-faralho que mais parece uma banda desenhada para adolescentes irrequietos ou um filme indiano de 4ª qualidade. Viseu terá qualidade não por manifs pagas de uma centena de jovens a seguirem um guião pré concebido e pré decorado no Largo da Sé. Tê-la-á quando se trabalhar para ela ao invés deste esforço falacioso em publicitar a sua nula existência.

Este é o cunho e a visibilidade deste executivo.