Políticos & Prostitutas

por Paulo Neto | 2015.02.12 - 17:22

 

 

(Aviso: O tema pode ferir susceptibilidades)

 

Ainda o caso Dominique Strauss-Kahn, já conhecido carinhosamente, em tanto que “estrela”, por DSK…

Agora na barra do Tribunal de Lille onde o antigo ministro francês e ex director geral do FMI está a ser julgado por proxenetismo agravado.

Quando o juiz lhe referiu: “ Você foi um dos homens mais importantes deste mundo…”, com segurança, arrogância e calma retorquiu: “ Não sei se é verdade, mas é o que dizem… Salvámos o planeta de uma das mais graves crises financeiras da sua história.”

A história, “o caso Carlton”, como ficou conhecido é simples de esquissar: DSK tinha um amigo, Fabrice Paszkovski, também a ser julgado por proxenetismo, que lhe arranjava jovens prostitutas para orgias sexuais. Segundo depoimento prestado em audiência, aconteceram doze vezes a uma média de quatro/ano. “Mas não era uma actividade frenética”, clarifica “eu tinha outras coisas para fazer…”, depreendemos bem que sim. Ora se há-de estar a governar o império financeiro, ora se há-de estar a sodomizar jovens prostitutas recrutadas exclusivamente para seu usufruto pessoal.

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Na suite duplex, em baixo um “buffet”, em cima um quarto. As quatro moças esperavam a sua vez e, à medida que a “colega”, em “baby doll” descia a seguinte subia. “A menina estava permissiva?”, pergunta o juiz, “Mostrei a minha reticência por gestos, que deixavam compreender que eu recusava essa prática ”, responde em lágrimas e de voz quebrada, deixando entender que de sodomia se tratava. “E não chorou?”, pergunta curioso o juiz. “Sim. Bastante. E disse-lhe que me doía muito”, responde a jovem. “E ele não se apercebeu?”, insistiu, “Sim, mas sorriu do princípio ao fim, com um ar de quem estava a gostar do que fazia”, confessa num soluço e remata “Foi brutal, sem parar”. “Mas consentido por si?”, insiste o magistrado. “Sim, porque eu precisava daquele dinheiro…”.

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Por seu turno, DSK clarifica: “Globalmente foi assim. Embora não tenha a mesma impressão que a manifestada por ela. Mas a sua descrição parece-me coerente. Não houve da sua parte uma recusa categórica. Sem dúvida que manifestou gestualmente não o querer muito, mas mesmo nas relações sexuais entre casais existem relações de dominação” e acrescenta que as “miúdas” lhe tinham sido apresentadas como “libertinas”, concluindo “A prostituição não é a minha concepção de relações sexuais. Para mim, isso, tem que ser uma festa. Não gosto das prostitutas que se levantam um minuto após o acto. (…) Não gosto de relações glaucas. Têm que conter um aspecto lúdico…”

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Desculpo-me perante o leitor desta sordidez cínica dos pormenores. As palavras são as dos referidos. A tradução do francês, fiel, é minha.

Esta história não tem moral nenhuma. Será, sem dúvida, imoral, sem enveredar por puritanismos desajustados. E a haver alguma moral a retirar deste estendal de vileza, é de que existem pessoas que governaram ou governam o mundo que se comportam como genuínos chulos e escroques do piorio.

 

(fotos DR)