Politicamente correctos são os carneiros a balir para a ara!

por Paulo Neto | 2015.02.25 - 16:58

Sempre fui um intransigente defensor dos Direitos do Homem consignados na sua Declaração Universal, de 10 de Dezembro de 1948.

Até hoje entendi que a vida humana era o bem mais precioso da humanidade. Assim como a Liberdade.

Para meu escandaloso espanto começo a perguntar-me se há certa “gente” que mereça viver. Porquê? Porque as suas vidas são a morte e a destruição de tudo quanto os rodeia, sejam os seus semelhantes, seja o mundo, em geral, onde ignominiosamente vivem.

Um terrorista que mata cega, sucessiva e implacavelmente sem um ressaibo de remorso ou peso na consciência, merece viver?

Indivíduos afectos à brutal exploração do Outro, como negreiros do século XXI, merecem a impunidade total para continuarem a ser os arautos da desgraça e da malevolidade facinorosa?

A sociedade actual, absurdamente poluta, está repleta de mal. Sem qualquer incitamento à violência, a questão de fundo persiste: Devemos outorgar-lhes, anuentes, coniventes e cúmplices, no silêncio e permissividade, o direito a serem os “demónios” à solta da nossa era?

E ao perspectivar esta polémica premissa, que me distingue deles? O mesmo que a amputação de um órgão doente e incurável, para que o corpo viva. Se a sociedade está podre, e façam-se todas as análises possíveis de causa/efeito – sem caças às bruxas – pois todos sabem quem elas são e onde estão, no seu impenitente e persistente atrevimento, banir o mal com a exterminação da fonte da maldade, não faria de ninguém um maldoso, talvez até dele fizesse símbolo e estátua da bondade exigível para salvaguarda de quantos têm o direito de viver em paz, liberdade, harmonia e respeito pelos outros.

Como seria o mundo de hoje se tivessem perecido à nascença velhacos como Staline, Hitler, Pinochet, Duvalier, Átila, Torquemada, Nero, Videla, Bokasa, Pol Pot, Mao Tsé Tung, Calígula, Kabuga, Idi Amin Dada, Milosevic, Trujillo, Mussolini, Al-Bashir, Mugabe, Hussein, Truman, Kaddafi, etc., etc., etc.? (a ordem é arbitrária em desmesura dos actos e são citados à medida que seus nomes me ocorrem; não são incluídos nomes de banqueiros, grupos financeiros de agiotas et all )…

Aceito ainda, num humanismo cada vez menos tolerante – e se isto for uma antítese durmo bem para tal lado – que o “politicamente correcto” está banido destas linhas. Porém, persisto na dúvida: até quando em nome dessa pseudo-correcção devemos continuar a ser porfiadas vítimas, atarantadas e apalermadas de toda essa ignóbil gentalha? Quer vivam na Áustria, na Síria, na Bélgica, na Líbia, na Alemanha ou no Iraque?