Fundação Aquilino Ribeiro: um espaço com vida (um pouco de história… e de futuro)

por Paulo Neto | 2015.02.26 - 11:29

 

Nos dias 24 e 25 passaram pela Fundação Aquilino Ribeiro mais de uma centena de jovens estudantes do Agrupamento de Escolas de Sernancelhe.

Vinham previamente sensibilizados pelos seus professores, das diferentes áreas, para testemunharem in locu um lugar de vivência e referência do Escritor.

O espaço animou-se com tanta irrequietude, vida e futuro.

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A FAR é desde há três anos co-propriedade estatutária das três autarquias integradoras das Terras do Demo: Moimenta da Beira, Sernancelhe e Vila Nova de Paiva. Pelos estatutos haverá lugar a uma rotação de dois anos que se supõe sustentada por uma política comum de boas práticas e optimizada gestão/direcção daquele espaço privilegiado, um “santuário” para os aquilinianos de todo o Portugal.

Durante os primeiros dois anos e meio a FAR foi gerida por Moimenta. Desde Setembro passado que é responsabilidade de Sernancelhe.

Naturalmente os três autarcas já delinearam uma política comum para a viabilização e exequibilidade da FAR que tem estado até ao presente a viver do legado testamental da Dra. Josefa Campos, viúva do filho primigénito do Escritor, o juíz conselheiro Aníbal Aquilino Fritz Tiedman Ribeiro.

Naturalmente que a FAR tem despesas correntes e de manutenção. Mas tem mais. Ou deveria ter. Despesas de conservação, inventariação e restauro do espólio existente…

Despesas com formação adequada das duas funcionárias, nas áreas de arquivo e museologia…

Parece que há já um mecenas que e a troco de nada — como qualquer mecenas que se preze — vai operar de imediato em obras urgentes. Louva-se a filantropia. Parece que há um protocolo com a UTAD para tratamento da flora existente no perímetro dos 3 hectares da propriedade. O que é oṕtimo, se concebido com critério e bom rigor.

Porém, ainda não se vislumbra qualquer política de auto sustentabilidade da FAR, de atracção de público, de divulgação do espaço, de planificação anual coerente, de implementação de projectos literários, de turismo cultural, de projecto QREN, de chamamento de estudiosos e investigadores, da criação do Prémio Nacional Aquilino Ribeiro, de publicações da FAR… e etc.

E contudo, as três autarquias em questão devem ter todas essas perspectivas e muitas outras em vista. Elas, que viram cair-lhes no “regaço” um espaço comum de referência nacional cultural, decerto já gizaram os melhores planos, as mais claras metas, os fundamentais objectivos, as estratégias para os implementar e o timing certo para os calendarizar.

A qualquer momento, Portugal cultural deles terá conhecimento e naturalmente aplaudirá as boas iniciativas e a rasgada visão destes três autarcas que, certamente, não deixarão seus créditos por mãos alheias.

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Até e porque todos eles são autóctones das Terras do Demo, todos eles vivenciam nos seus quotidianos este território por Aquilino sublimemente descrito, todos eles partilharão do seu ex-libris “Alcança quem não cansa“, todos eles, em suma, desejarão o melhor para a FAR.

E o melhor para a FAR é conferir-lhe vida e a vitalidade estuante do modelar exemplo que nos deixou Aquilino na sua obra. Nós temos a certeza de que eles saberão o que e como o fazer. Este tema é tão importante, recorrente, apaixonante e urgente que o iremos escrutinando, aqui, exaustiva e publicamente, a par e a passo.

Para já, e com a responsabilidade moral que nos é concedida por termos estado na génese da alteração estatutária com o saudoso Senhor Engº Aquilino Ribeiro Machado, é-nos  permitido deixar aqui a sugestão de uma optimizada direcção para colaborarem e executarem, de forma directa e transversalmente às três autarquias:

Dr. Alberto Correia; Dra. Ester Vargas; Dr. António Augusto Fernandes, com fundamento no seu saber, seriedade, competência, rigor e espírito de missão.

Deixamos ainda os nomes dos três autarcas responsáveis pela FAR:

José Eduardo Ferreira, Moimenta da Beira.

Carlos Silva Santiago, Sernancelhe.

José Morgado, Vila Nova de Paiva.

Os três têm nas mãos o futuro da FAR, que não é nunca de nenhum deles, mas sim exclusiva pertença da tríade municipal que representam.