Plágios, paródias ou pessoalizações equívocas?

por Paulo Neto | 2014.03.13 - 21:16

 

Em Julho de 2012, em reunião do Conselho Regional do Centro, o então presidente da CCDRC, Norberto Pires, apresentou o Programa InvestCentro.

Este documento foi gizado com a matéria cinzenta local, com o conhecimento da realidade regional, com perspectivas de acção, pistas e iniciativas para o desenvolvimento integrado da Região Centro e da sua centena de municípios. Ademais, inseria-se nas macro-lógicas do poder central.

Porém, nessa reunião, com a presença do então secretário de Estado Almeida Henriques, o projecto foi vetado, “interditado”. Sem explicações e sem que se tenha até hoje percebido a lógica da decisão.

Duas semanas depois, Norberto Pires demite-se. Almeida Henriques em entrevista por mim feita, publicada a 20 de Julho, faz saber, a respeito do então presidente da CCDRC:

Se há pessoas que procuram às vezes ter protagonismos fáceis, procurando deitar areia para os olhos e a meio de um processo vir para terreno lançar confusões, eu não posso fazer comentários em relação a isso. A Região Centro, no contexto do país, sai claramente a ganhar nesta reprogramação. E já agora digo-lhe: grande presidente que vai ter na CCDRC a partir do dia 16, Pedro Saraiva.”

Talvez aqui, nestas palavras se presentifique o eufemismo do “dirigente incómodo versus dirigente cómodo”. Mas isto é conjectural, está claro. Como é conjectural pensarmos haver aqui um caso de pessoalização de territórios, de antipatia pessoal, de invejas mesquinhas e de incomodidade causada. Talvez por Norberto Pires ter cabeça e pensar por ela ou estar “desalinhado” em matérias de atribuição de QREN’s. Talvez por excesso de protagonismo de um homem que apresentou iniciativas, objectivos, estratégias e timings para incutir vitalidade ao desenvolvimento do território que lhe estava adstrito, a Região Centro. Talvez por isso o InvestCentro tenha sido liminarmente chumbado.

Não obstante, e esta é a grande dúvida a carecer de dilucidação: Se o programa não era “bom”, porque aparece dois anos depois ressuscitado como InvestBraga? Porquê? Se não servia para o Centro porque serviu para o Norte?

Almeida Henriques será responsável pela anulação e consequente perda deste projecto inovador e criativo? De certeza há um facto pelo qual não será responsável: que Braga atenta ao seu progresso tenha repegado no que ele, eventualmente descartou por motivos até hoje ignorados.

Ontem, depois do meu Editorial de 08/03, o jornal Público pega no assunto e relança a discussão. O mediático Almeida Henriques, tão grande apreciador do brilho, que tem a dizer sobre a matéria?