EDP – Quem a entende?

por Paulo Neto | 2014.03.15 - 13:16

“O acordo conta com a EDP só serve para lhes poupar dinheiro em custos de leitura de contadores”. Diz-me o compadre Zacarias no seu proverbial pragmatismo.

Dos 100 € acordados há meses que passam a 200 € (os famigerados acertos!) e vão avisando que a “renovação do Acordo de Conta Certa (certa?) para os próximos 12 meses prevê a actualização da mensalidade para 118 €.”

Depois, na simpática carta que me endereçaram mandam 4 páginas mais um flyer com lindos gráficos de muitas cores, intitulado “Rotulagem de energia eléctrica” (?) para dar parca informação em muito paleio e “bonecros”, para desvanecer a treta embrulhada em envernizada linguagem técnica, obtendo assim a caução para o real final transmitido e pouco iluminado.

Entretanto, vai-se sabendo de que “o valor indicado inclui os encargos relativos ao Acesso às Redes, no valor de 550,21 €, “os custos de interesse económico geral (lá sai mais uma maldita sigla de que tanto gostam para encobrir conceitos vazios: CIEE) incluídos no Acesso às Redes correspondem a 305,03 € e os valores não incluem IVA.” Pago ainda uma Taxa Exploração (sai sigla…) DGEG, um Imposto Especial Consumo Electricidade e um IVA de 23% para os “coitadinhos” do Ministério das Finanças de 237,47€ , mais uma Contribuição Audiovisual (?) de 27,80 €, mais IVA e etc.

Sou um indivíduo esclarecido; tenho 4 décadas passadas a leccionar Português, língua e literatura nos ensinos secundário e superior; uma sólida formação académica em 3 sérias universidades nacionais e uma estrangeira e concluo, candidamente, que além de estar a ser alvo de um eventual saque mal explicado, estou perante uma linguagem que mais do que informar com clareza, objectividade e transparência, visará camuflar a realidade dos factos a milhões de portugueses. Ah! E depois há uma “coisa-ERSE” que supostamente vela por todos nós pois é uma entidade reguladora dos serviços energéticos. Mas regula o quê a quem?

Em último recurso, admito ser um verdadeiro “asno” (sem ofensa para os ditos) e existirem 11 milhões de portugueses que entendem perfeitamente esta rábula, sendo eu a excepção…