Haverá um tempo para tudo? Mesmo para que os tempos se voltem a encontrar? *

por Paulo Neto | 2014.03.16 - 11:27

 

Há um extracto in “O Despertar dos Mágicos”, Bertrand, 1960 que transcrevo, pela sua actualidade, não obstante o mais de meio século passado sobre a sua escrita, por Louis Pauwels e Jacques Bergier:

Em que ponto estamos nós? O contacto com neutrões torna todos os elementos radioactivos. As explosões nucleares experimentais envenenam a atmosfera do planeta. Este envenenamento que progride de forma geométrica, aumentará extraordinariamente o número de crianças mortas, dos cancros, das leucemias, destruirá as plantas, alterará os climas, produzirá monstros, escangalhará os nervos, sufocar-nos-á. Os governos, quer sejam totalitários ou democratas, não renunciarão. Não renunciarão por duas razões. A primeira é que a opinião popular não pode abranger a questão. A opinião popular não possui nível de consciência planetária suficiente para reagir. A segunda é que não há governos, mas sociedades anónimas com capital humano, encarregadas, não de fazerem a história, mas de exprimir os diversos aspectos da fatalidade histórica.”

Nesta meia dúzia de linhas 3 ideias inquietantes emergem:

1ª Há uma parte ínfima da humanidade, há muito, laboriosa e persistente, a destruir conscientemente o mundo, a pretexto da evolução, da descoberta, da inovação, que mata tanto quanto, depois, gera lucros astronómicos para os potentados, embrutecendo alegremente as massas. Pack 3 em 1.

2ª A opinião popular – e muito me custa constatá-lo – é maioritariamente ignorante e está globalmente alheada da maioria dos macro problemas que lhes criam, os espoliam e os matam. Dizia-me há dias um jovem radical:

A maior parte dos portugueses não devia ter direito ao voto. São ignorantes e conduzidos facilmente como um rebanho de carneiros.”

E será, passante o exagero, uma parte da grande verdade. E só assim se compreende a sujeição colectiva aos tosquiadores que os conduzem à pedra da imolação, como se fosse um povo cego, frouxo, ignorante e masoquista…

Vivemos a macro época da ignorância global apesar de nos disfarçarmos de omnimanipuladores de todos estes pink games da lúdica distracção moderna, enchumaçados em info-incluídos – e gostamos de pertencer a esse clube ao qual milhões de asiáticos, africanos e sul-americanos não pertencem – pseudo-dominadores das TIC’s… em jogos virtuais.

3ª A grande cabala da humanidade é a existência de governos montados com verosimilhança – para parecerem reais sem o serem – que mais não são que representantes, meros funcionários, de “sociedades anónimas” que os elegem, lhes pagam e lhes dão as ordens/directrizes para cumprir na porfiada magna exploração dos seres inferiores em detrimento da casta elitista dos exploradores. Em Portugal já percebemos isto. Mas nunca de forma tão óbvia como com a governança actual, que já perdeu o pudor de tentar esconder quem lhes dá as ordens —  os amos a quem servem — tais aios fiéis.

(* para o meu sobrinho e afilhado, Renato P.)