Paraísos fiscais

por Paulo Neto | 2014.09.19 - 11:04

 

Sempre que me é imposta a imposição de pagar um imposto (parece complicado mas não é ) eu sei, em teoria, que algo me será concedido em contrapartida ou, se não à minha pessoa, à sociedade, em geral, que é justa, fraterna e igualitária.

Certo? Errado!

Assim seria se vivêssemos num país desenvolvido, como por exemplo a Suécia.

Retomando o tema ontem abordado no meu editorial, leitor atento lembrou-me que o ministério das Finanças, numa época em que estão congeladas as admissões à função pública, tinha aberto vagas para mil inspectores tributários. A ser verdade, achámos louvável. São mil postos de trabalho criados numa época em que eles se extinguem e mais louvável será se servirem para combater a economia paralela, a fuga aos impostos dos que muito auferem e fogem ao fisco como da cruz o diabo.

Mas se é para cobrarem multas da Ascendi ou da Brisa, achamos francamente abusivo, ilegal, inconstitucional e extrapolativo das funções da Autoridade Tributária.

Mas se é para irem penhorar 1/3 de 600€ da reforma de um aposentado, achamos que é uma atitude de carrasco a infligir o golpe final a quem já mal sobrevive.

A grande questão é esta: já sabemos que o fisco foi dotado de “poderes letais” sobre o contribuinte… Aplaudimos! Mas porque não exercer a sua toda-poderosa potência na verdadeira, imoral e desmesurada fraude, fuga e vigarice que está nos paraísos fiscais, nos offshores das Cayman, Ilhas Virgínia, Bermuda, Jersey, Madeira, Luxemburgo, Mónaco, Singapura… etc.?

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Porque esses, na verdade, serão os “patrões” que mandarão no governo. E os aios nunca atacarão os amos. Pois não?

É sempre mais fácil atacar os fracos, frágeis e expostos. Nisto é este governo cobarde, certeiro, hábil, arteiro, criativo, especialista e inventivo.

pa ra iso

E porém, provavelmente, os muitos milhares de milhões “aboborados” nos offshores, em clara e inequívoca transgressão e ilegalidade, com a cumplicidade de muitos “credíveis” bancos, resolveriam grande parte da dívida de Portugal.

Não é, senhor Coelho?

E já agora… será verdade que o senhor Coelho, entre 95 e 98 se tenha esquecido de declarar ao fisco 150 mil euros indevidamente recebidos da Tecniforma, quando era deputado em regime de exclusividade? Claro que só pode ser uma “cabala”!

 

 

(Fotos e Cartoon DR)