Os Egomissionários

por Paulo Neto | 2015.07.16 - 13:10

Pululam por aí, os egomissionários. Ciclicamente, de 4 em 4 anos, emergem em fúria do aconchego das sinecuras sazonais.

Dantes, era comum ouvir-se que a verdadeira personalidade do ser humano se revelava em situações de pânico ou de embriaguez. Era. Já foi.

Hoje, vê-se mais e na modelar classe política, quando é chegado o momento de seleccionar os candidatos que irão integrar as listas a deputados da Nação e pelo Povo (não se riam, se faz favor…).

O espírito de missão de políticos como Álvaro Cunhal, Adriano Moreira, Mário Soares, Mário Sá Carneiro, Salgado Zenha, Freitas do Amaral, Maria de Lurdes Pintasilgo, Ramalho Eanes e mais um punhado deles… desapareceu e deu lugar a uma vaga imensa de medíocres esfomeados de bem-bom, de poder e mordomias, salvo honrosas excepções preocupados com o seu EGO inchado, com a sua projecção, o seu amiguismo, a sua clientela partidária, eles próprios meros lugares-tenente do degrau de cima e, assim sucessivamente, até ao topo — a meta — da escada, normalmente anónima e sem rosto.

O fenómeno seria um mal menor se localmente localizado. Porém, para nosso desassossego e inquietação tornou-se uma virose nacional com epicentro na capital.

Por aqui, a sofreguidão não deixa margem a quaisquer dúvidas. Esta gente interiorizou no mais profundo subconsciente que tem de ser deputada a qualquer custo. É a Meca destes neoislamitas, missionários do eu, interesseiros e interessados em sorver da gamela os últimos pingos da lavagem que os ceva e põe luzidios de nédios.

E nós, analisando esta interessante maratona, vamos ser-lhes a calçadeira para o pézinho inchado? Aqui está um crucial ponto para análise, ponderação e debate…

Ao votarmos neles, cientes da sua mediocridade, cupidez, ambição, oportunismo e egoísmo somos iguais a eles ou piores que eles?

O sistema assente em políticos podres, podre está. Vê-se um pouco por esse mundo fora com muita incidência na decadente Europa, trôpega e senil, nas mãos de meia dúzia de agiotas. Vê-se em Portugal, no poder local e no poder central, na AR e na grande maioria das instituições sustentatórias do regime.

Qual é a alternativa a esta populaça esfaimada? Quando um sistema se esgota e estertora nas vascas da agonia, a eutanásia será a solução? E a seguir? Que Fénix renasce das cinzas? O exemplo da História é temível…

Mas a Democracia não terá capacidade de renovação e de revitalização para afastar os espectros iminentes dos radicalismos?

Ou o problema é de mais amplo e largo espectro, de cariz social, com o seu eixo numa total degradação e inversão de valores éticos e morais?

Geralmente, estas “beiras de abismo” são prenúncios das mais catastróficas calamidades.

Que homenzinhos andámos nós, afinal, a criar e a educar para resultar nisto?