Os “carros vassoura” do distrito…

por Paulo Neto | 2015.11.09 - 18:10

 

Uma notícia hoje saída no DN e acerca do poder de compra em Portugal dá-nos os seguintes indicadores:

Municípios com maior poder de compra:

Lisboa, Oeiras, Porto, Faro, Coimbra. S. João da Madeira, Sines, Cascais, Aveiro e Matosinhos.

Aqueles em que o IPC (Índice do Poder de Compra) é mais baixo:

Ponta do Sol, Câmara de Lobos, Vinhais, Tabuaço, Resende, Celorico da Beira, Cinfães, Baião, Ribeira de Pena e Penalva do Castelo.

Entre Lisboa, com um indicador de 207,9, e Tabuaço com 56,63, o diferencial quase quadriplica.

Nota: estes são dados do INE (2013) e fundados num valor de referência de 100.

Que conclusões básicas tirar daqui?

Primeiro, a profunda abissalidade que pode ser factor determinante para a crescente desertificação do interior.

Segundo, que entre estes últimos 10 municípios, 4 pertencem ao distrito de Viseu, 1 ao distrito da Guarda e 3 são insulares. O nosso distrito surge assim como “carro vassoura” nacional.

Terceiro, que explicações terão os autarcas dos supra citados concelhos para este “score”? Ou será apenas o destino, esse Fado tão eminentemente lusíada?

Quarto, esta abordagem pode ser simplista. Devia era ser motivo para uma reflexão mais profunda dos estudiosos, dos edis em questão e, após a análise, objecto de um trabalho sério e empenhado para equacionar as possibilidades e estratégias possíveis e exequíveis para saírem de tão melindroso “ghetto”…

Seria interessante, por exemplo, auscultar o longamente duradoiro ex-presidente da câmara municipal de Resende, actual presidente da Assembleia Municipal, presidente da federação de Viseu do PS, deputado eleito à Assembleia da República e comendador medalhado por Cavaco no último Dia da Raça.

Com toda a sua vasta experiência, ele, melhor que ninguém, terá explicações claras para estes factos e, numa lógica mais abrangente e multissectorial de áreas políticas que domina, objectivas soluções para a situação.

Ou não?