Entre guinchos de um Telmo-qualquer-coisa e as “ressacas” do Portas…

por Paulo Neto | 2015.11.10 - 23:29

 

Confesso que por vezes me distraio… e não presto muita atenção às notícias. Aconteceu hoje por motivos outros que me absorveram, porém já ontem tinha escrito esta crónica. Se calhar desactualizou-se. Ou não.

 

Cada vez acho mais interessantemente bizarra a forma de agir/actuar da direita portuguesa, hoje congregada no PàF.

Ontem, muito fortuitamente, ouvi uma intervenção no parlamento de um Telmo-qualquer-coisa, do CDS-PP. O homenzinho exaltava-se com admirável fremência, estrebuchava, trejeitava-se, apontava trémulos dedos a recortes de jornais, vociferava, tonitruava e suava… enfim, estava completamente fora de si, descontrolado e/ou alucinado.

E esmurrava a tecla… “mas nós é que ganhámos!”; “nós é que devíamos governar!” Muito bem. Mas quem os impede?

Ganharam, sim, com 38%. Percentagem que os atirou para longe da margem de conforto onde viveram os últimos quatro anos, governando a seu bel-prazer, aprovando tudo com a arrogância dos “oligarcas prepotentes” (só para ser enfático!), impondo sacrifícios brutais e terríveis aos portugueses e… deixando um Portugal mais endividado do que aquele que encontraram, por mais verniz que ponham a recobrir o sarro da verdade.

Quem os impede de governar com os 38% da sua fulgurante e tão aclamada e apregoada vitória?

Já agora, deputado-Telmo-qualquer-coisa, não acha que seria querer de mais, requerer e obter de mão-beijada o apoio e a sustentação de todas as restantes forças partidárias, que ignoraram principescamente e hostilizaram mefistofelicamente durante os tais tenebrosos quatro anos de “tripa-forra”?

E agora, ainda, com a lata histérica dos encurralados, começam a agitar inquisitoriais espectros salazaristas e só falta mesmo dizerem que Jerónimo de Sousa come criancinhas à merenda, com jeropiga e castanhas e a Catarina Martins é uma perigosa terrorista que limpa as unhas com balas de calibre 9mm…

Percebemos o “mise-en-scène”, mas patético é ele representar-se estertorando nas vascas da agonia, enquanto se agitam as bandeirolas dos mercados, da banca, dos credores e etc. e tal… que tanta esperança e confiança tinha investido na coligação PàF. Pudera…

A democracia tem regras para além da anedótica “tradição”. E a regra básica conta-se pelos dedos: eu tenho x votos, tu tens x+y. Ou não?

Nota: regressava a casa e ouvia as notícias no rádio. Era hoje também dia de histerias. Portas cuculava, zangado, ressabiado e mal-criado acerca de “geringonças”, de “bebedeiras e de ressacas”. É caso para conjecturar: Ovelha ruiva como é assim cuida?