Estes gajos sabem-na “quase toda”…

por Paulo Neto | 2015.11.07 - 15:24

Há um renovar-se de esperanças  Porque hoje é sábado. 

(…)

Há criancinhas que não comem  Porque hoje é sábado. 

Há um piquenique de políticos  Porque hoje é sábado. 

(…)

Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, ó Sexto Dia da Criação. 

De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas 

E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra 

E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra 

Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado. 

Na verdade, o homem não era necessário …

 

“O Dia da Criação”, 1946

 

Não, não resisti a citar Vinícius…

Parece que vai começar mais uma Volta a Portugal. Sem ser em bicicleta, sem ser de automóveis, esta corrida é de políticos. Dos políticos do PàF (?) que aproveitarão o escasso tempo que têm pela frente para, e às custas do Zé-Que-Paga, irem por Seca e Meca fazer a nova campanha eleitoral, uma campanha decerto centrada no choradinho, na vitimização, na pagela ao peito e no crucifixo na mão.

Estes gajos sabem-na “quase toda”…

 

Portas anda com um aspecto agastado e mal-disposto, idos os tempos do forrobodó e na iminência de perder o “emprego”, logo agora que estava tudo a correr tão bem e justamente no limiar do grande contrato de Mota Soares com as Misericórdias para delapidar no cavername tenebroso das sacristias mais um bem social de Portugal.

Corja…

 

O “estrôncio” do MAI queria festança militar. Para se apresentar, à PSP, à GNR e etc e tal. Nem percebeu que uma logística desse teor careceria de tempo para ser implementada e de rios de euros para ser funcionalizada. Também não percebeu que e provavelmente o discurso seria do tipo: “Olá meus senhores. Vim dizer-vos adeus!”

Não se pode pedir mais de malta a curto prazo. Porém, simbolicamente, é quanto basta para percebermos o teor e a essência deste governo de fim-de-semana.

 

Assis, o estóico franciscano, lá vislumbrou na actual conjuntura uma fímbria de “mercado” para brilhar a hagiográfica auréola e dizendo que não sabe nem quer dividir, lá vai arrastando atrás de si a corte dos ressabiados e dos desempregados, apelando ao milagre da multiplicação para fazer o frete encomendado e tão bem acolhido pelos aflitos do PàF e pelo agoniado Cavaco.

Este franciscano é um acólito da direita acolhido ao PS para receber mordomias e pagar a factura com a traição. Mas o PS tem mais destes. Em Viseu, também. E tristes de ver a rastejar quando demoraram tantos milhares de anos a levantar-se do chão. O que (re)prova que o “homo erectus” se tornou flexível numa amplitude que foi do 0º aos 90º.

 

E à laia de parábola, bom é começar com Vinicius e acabar com Vieira:

 

“Antigamente convertia-se o Mundo, hoje porque não se converte ninguém? Porque hoje pregam-se palavras e pensamentos, antigamente pregavam-se palavras e obras. Palavras sem obra são tiros sem bala; atroam, mas não ferem…”

— Pe. António Vieira, “Sermão da Sexagésima”, 1655.