O sagrado e o profano em Almeida Henriques e Fernando Ruas

por Paulo Neto | 2014.06.03 - 16:01

Mudam-se os tempos mudam-se as vontades. Podia começar assim este editorial, com toda a actualidade camoniana…

Ruas implementou durante anos uma política de “acarinhamento” aos idosos do concelho da sua autarquia que consistia, uma vez por ano, em levá-los numa magistral excursão de muitos autocarros, a uma quinta minhota (da Malafaia, se não me engano) onde, durante parte do dia confraternizava com eles, comiam, bebiam, dançavam. Ruas era bom nessas coisas. Gastavam-se uns milhares mas havia sempre o hipotético investimento no retorno do voto. Profano, em latim, queria dizer “à porta do templo”.

Almeida Henriques reinaugurou uma era nova, em vigor desde a Concordata de 1940, mas agora na versão actualizada que o seu cunho pessoal lhe confere. Depois de prometer gastar 100 mil euros do erário público no “pecatómetro” que vai ligar a igreja matriz de Ribafeita à casa da beata Madre Rita, insiste no sagrado e implementa a sua política social em prol da 3ª idade levando-a a Fátima. Acompanhado do presidente da Assembleia Municipal e vereadores, lá vão os autocarros dos peregrinos cumprir o culto Mariano.

Na presença do Bispo de Viseu, acolitado na liturgia pelo presidente da edilidade, com animada merenda para revigorar o corpo, tratado que foi o espírito, esta iniciativa foi um sucesso e marca para o futuro a perspectiva religiosa e social da autarquia.

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Ao que sabemos, nas hostes do PSD local, são inúmeros os políticos que todos os anos vão a pé a Fátima em cumprimento de promessas, pelos seus pecados, por devoção e a rogar divina protecção e redenção para os seus actos mais duvidosos, por isso não nos admira a Fé de AH e de Mota Faria, que nem irão por qualquer pecadilho, antes pela mais pura ascese e elevação moral.

 

Nota: As fotografias foram, com a devida vénia, tiradas do “site” do município, a quem muito agradecemos a valiosa reportagem em imagens.