“Atirar o Governo pela janela!” (Morais Sarmento, ex-ministro do PSD)

por Paulo Neto | 2014.06.04 - 11:48

 

Que mais será preciso fazer/dizer para que todos os portugueses abram os olhos e vejam o que se passa por esse Portugal fora?

Alexandre O’Neill , escreveu:
“Ó Portugal, se fosses só três sílabas,

linda vista para o mar,

Minho verde, Algarve de cal,

jerico rapando o espinhaço da terra,

surdo e miudinho,

moinho a braços com um vento

testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,

se fosses só o sal, o sol, o sul…

(…)

Mas não, não são só três sílabas Por-tu-gal.

É um povo espoliado, triste, cabisbaixo a quem tiraram a dignidade, a esperança e o futuro.

Quando um ex-ministro peso-pesado do PSD vem sugerir “O que podemos fazer a seguir é atirar o Governo pela janela!”, falando aos microfones da RR e posto perante a alternativa de um novo aumento de impostos. Para a seguir, de modo taxativo rematar: “Acho que este Governo deve começar a pensar que, para o próximo ano, é capaz de ter outra ocupação que não a de ocupar o Governo de Portugal, porque chega a uma altura em que não se aguenta e eu sou apoiante do Governo.” Que devemos nós pensar se ainda dúvidas tivermos?

Destas palavras, deste Governo, deste Portugal sem tino, destino, rumo, só Fado e triste, um eco persiste…

chega a uma altura em que não se aguenta

chega a uma altura em que não se aguenta

chega a uma altura em que não se aguenta

chega a uma altura em que não se aguenta

chega a uma altura em que não se aguenta

chega a uma altura em que não se aguenta

chega a uma altura em que não se aguenta

 

E concluímos como começámos, com Alexandre O’Neill:

(…)

“Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,

golpe até ao osso, fome sem entretém,

perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,

rocim engraxado,

feira cabisbaixa,

meu remorso,

meu remorso de todos nós…”