O pífio circo…

por Paulo Neto | 2014.11.26 - 23:01

 

 

A maioria PSD-CDS aprovou hoje o Orçamento de Estado para 2015, perante um país alheado, conformado e saturado de tanta espoliação, mas, a seu luso modo, brando, complacente e anuente.

Este Orçamento vai cumprir os desígnios de Coelho e Portas. Deixar os portugueses mais chegados ao osso, gordura perdida e pele esfolada. Do IRS à palhaçada da fiscalidade verde — este governo gosta de dar um cariz cosmético e brilhante à crueza cínica da realidade — o que se prevê do próximo ano é, para a esmagadora maioria do povo, dois novos furos no cinto e para o milhar de novos milionários “le protégés des dieux”, dois novos furos na cilha. Com uma diferença: os destes são à direita, para alargar, os daqueles são à esquerda para apertar.

 

Até eu, desta vez, estive de acordo com João Jardim quando afirmou estar perante “a ‘mediocretização’ dos políticos e das políticas”. Obviamente, do PSD-CDS…

 

De resto, as telenovelas reais sucedem-se em todos os canais da televisão. Comentadores fluentes em mil e um assuntos, num psitacismo atordoante, opinam sobre tudo o que tuge e muge. São os treinadores de bancada do tipo Marques Mendes, que não tem boa memória para casos pessoais, mas sabe tudo sobre o que aos outros respeita.

 

Passos Coelho, o tal que afirma que “os políticos não são todos iguais” ainda não conseguiu recordar-se de quanto ganhou e não declarou com as suas “assessorias” nos casos Tecnoforma e CPPC. Para cúmulo – um mal vem sempre aos pares – desapareceram da SS as pastas com essas informações. Deve ter sido a mulher da limpeza…

 

Pedro Maia, um professor-auxiliar da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra veio desmentir Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal e o seu vice que, segundo alega, o citaram abusiva e erradamente, desvirtuando a sua “jurisprudência” de forma enganadora e contrária à verdade, para fundamentarem a não destituição atempada de Ricardo Espírito Santo.

O que terá custado ou irá custar mais uns milhares de milhões ao Zé. Normal…

 

As nossas elites políticas são esta rosqueira cáfila de “medíocres”, parafraseando de novo Jardim.

Insisto, convicto, neste ponto: para aí uns 200 “à sombra” e o sol ver-se-ia muito melhor!