O decidido indeciso

por Paulo Neto | 2015.11.20 - 12:24

 

 

O presidente da República de alguns portugueses anda numa fona pouco consentânea com a provecta idade e a requerida quão estimável acalmia de um penoso fim de carreira.

Convocou a Belém umas dezenas de personalidades muito prioritariamente afectas ao seu pulsar laranja para o aconselharem acerca do governo PS.

Está bem. Assim não corre desnecessários riscos relativos àquilo que conjecturamos ser seu primordial e essencial desiderato: a manutenção do PàF em estertorada “moribundez” à frente dos destinos da tão maltratada Nação.

O governo de gestão, para ele que muito se gaba de assim ter governado o país durante meio ano enquanto primeiro-ministro, é pois uma trivialidade onde se testa a audácia (ou será a bravata?) dos corajosos. Sina lusitana que já Camões há muito entrevira…

Dos seus predecessores no cargo nem quer ouvir falar até ao momento. Sendo certo que desde Eanes, a Soares ou Sampaio, o augurado conselho não lhe calharia em favor.

Por isso, ouvir patrões, ex-ministros afectos (ou infectos?) e talvez o Dalai Lama porque o Pai Natal anda adredemente ocupado com a proximidade do 24 de Dezembro.

Ainda assim, estão por ouvir umas dezenas de avisados ex-conselheiros, ex-amigos, ex-correligionários, ex-governantes e ex-medalhados. Basta lembrar Duarte Lima, Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Arlindo Cunha, Miguel Macedo, Zeinal Bava, Ricardo Espírito Santo e decerto, o Papa recém-eleito do estreito círculo Bilderberg, Durão Barroso, muito isento protagonista do europeu agónico Fatum no último decénio.

Claro está que os mais aziados e pessimistas como o Compadre Zacarias alvitram estar perante um Concílio de Bizâncio com uma OT acerca do “sexo dos anjos, arcanjos, serafins e querubins”.

Outros resguardam-se sabendo-se nas mãos de “Moisés que conduz os eleitos”, no sínodo de Viseu, tão propalado em “Andam Faunos pelos Bosques”.

Daí, ir-se a convocar ainda Santo Isidoro de Sevilha, Aristóteles, Plínio, Eliano, Ovídio, Santo Agostinho, Santo Antão e Piério, plêiade com argumentário torgado em teses tais que “muralhas de bronze, inderribáveis” e surdas a toadas da flauta de Pã, pois há que reabilitar os faunos, sem sombras de Asmodeu…

Ninguém duvida que depois de todo o “arengatório”, a conclusão será evidente e de tão límpido teor, em fala aos portugueses logo transmitida no mais nobre dos horários, com sentença esclarecedora deste tipo (cita-se Aquilino):

À flor do solo e na côdea do solo, debaixo da casca dos vegetais e até em seu cerne, nos líquidos e nos fluidos, no pelame dos animais e nas suas entranhas e órgãos, parasita dos próprios parasitas, a vida se desenvolve num ciclo, porventura, sem fim. Neste campo, ainda, admirar a magnanimidade do leão, a nobreza do elefante, o donaire do cavalo, a astúcia da raposa, a fereza do javali, a voracidade do lobo, a fidelidade do cão, a ligeireza da lebre, a meiguice da pomba, a fecundidade do coelho…”

E o país iluminar-se-á perante tanta e tal argúcia.

Quanto aos que não perceberam… estudassem!