Associativismo municipal

por Paulo Neto | 2015.11.19 - 10:32

 

 

Um fenómeno interessante é a incapacidade dos municípios interagirem com os seus concelhos limítrofes.

Hoje, quando há uma necessidade premente de congregar e apresentar projectos com escala e dimensão, a dificuldade que certas autarcas persistem em manter de protocolar com os seus congéneres próximos é tão desoladora quanto é fácil geminarem-se com localidades no estrangeiro a milhares de quilómetros.

Talvez modismos ou só parolismos…

Como me dizia há tempos um conceituado edil: “Cada autarca é galo de seu poleiro…”. Esse tempo, essa concepção, essa mentalidade está completamente ultrapassada e, agora mais do que nunca e até 2020 — pelo menos — há uma necessidade crescente de as câmaras vizinhas e partilhadoras de análogos territórios terem e submeterem projectos comuns e a eles se consagrarem num todo coeso e transversal a “capelas pessoais”, capazes de superar algumas insuficiências pontuais na sua singularidade e no seu isolamento.

Do distrito, apenas o concelho de Viseu tem dimensão para se abalançar em sprinter isolado a certos projectos de desenvolvimento que exigem, pelo menos, ser comuns a 50 mil habitantes. Mas existem municípios próximos que, se “conciliados”, alcançariam juntos o patamar indispensável e necessário para se candidatarem a fundos comunitários apenas disponíveis para áreas territoriais com uma demografia justificativa e representativa.

Assim, e até independentemente de se localizarem em distritos diferentes, têm na proximidade, nos recursos naturais afins e na lucidez dos seus autarcas, a possibilidade de envolvimentos comuns capazes de gerar alternativas várias e riqueza substantiva para os seus municípios e, claro está, para os seus munícipes.

Há que ganhar escala. Este é o lema e o mote. Porque esperam?