Aquilino e Raul Proença, Sernancelhe e Caldas da Rainha

por Paulo Neto | 2015.11.16 - 12:46

 

 

Que há de comum entre estes dois Homens?

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Ambos tiveram um papel importante e de activismo político na 1ª República. Aquilino nasceu em Carregal, Sernancelhe, a 13 de Setembro de 1885, Raul Sangreman Proença nasceu nas Caldas da Rainha a 10 de Maio de 1884, separando-os pouco mais de um ano e tornando-os contemporâneos na mais verdadeira acepção do termo.

Já Aquilino sofrera as agruras da 1º prisão, em 1907, na esquadra do Caminho Novo, em Lisboa e o seu 1º exílio em Paris (1908-14) quando, juntamente com Proença, escritor, jornalista e economista integram o Grupo da Biblioteca Nacional (1919-26) de onde haviam de sair os fundadores da revista Seara Nova (1921), Teixeira de Vasconcelos, Raul Proença, Câmara Reis, Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro e Raul Brandão.

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Ambos, Aquilino e Proença, combatem a ditadura sidonista (1918), combatem a ditadura militar em 1926 e ambos são exilados na sequência das sublevações do Porto e Lisboa em 1927. Aquilino parte para o seu 2º exílio, Proença para o 1º. Em Paris juntam-se a um grupo de centenas de exilados políticos, mantendo do exterior a sua intervenção política.

Aquilino tem o seu 3º exílio em 1928 e até 1932, na sequência da sua detenção na gare de Contenças, em Mangualde, quando tenta evitar o descarrilamento do comboio que traz para Lisboa os 300 militares do Regimento de Pinhel, para combaterem a repressão.

Raul Proença cria o Guia de Portugal onde Aquilino colabora. Se Proença morre na década de 40, Aquilino apoia ainda a candidatura de Norton de Matos (1948-49) e  a de Humberto Delgado (1958), contra o fascismo vigente, falecendo a 27 de Maio de 1963 tendo ainda sofrido as agruras da justiça, em 1959, pela publicação do seu livro “Por quem os Lobos Uivam”.

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No sábado, dia 14 de Novembro de 2015, as autarquias de Sernancelhe e das Caldas da Rainha uniram suas sinergias para recordar alguns dos pontos comuns entre ambos e, também, para homenagear a castanha e o castanheiro em dia de S. Martinho.

Uma comitiva chefiada por Carlos Silva Santiago desceu às Caldas, mais sernancelhenses e os vereadores Carlos Santos e Armando Mateus.

No Museu Etnográfico das Caldas da Rainha foram recebidos pelo director de Turismo, António Marques e pelo director do Museu, Mário Lino e pelo autarca local, Tinta Ferreira.

Aí, Paulo Neto e Alberto Correia proferiram duas comunicações, respectivamente sobre os 3 exílios de Aquilino e A Mística do Castanheiro. Houve momento musical e, de seguida, na Praça da República, 3 dezenas de assadores de castanhas (martaínhas, de Sernancelhe), ranchos folclóricos e largas  centenas de caldenses, deram a animação à tépida noite, assim desencadeada em torno da vivênia de dois homens de excepção e vulto que o destino quis que traçassem alguns comuns percursos quase 90 anos atrás.

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Estreitaram-se laços entre as duas autarquias e gizaram-se planos futuros para dar continuidade a este colaboração/cooperação  agora encetada, numa lógica de intermunicipalidade cultural, com afinidades que merecem ser relembradas, realçadas e entretecidas para conhecimentos actual dos vultos de um passado recente que marcaram com sua vida e obra uma das épocas mais conturbadas da História contemporânea de Portugal.

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Os municípios das Caldas da Rainha e de Sernancelhe estão de parabéns.