A morte saiu à rua…

por Paulo Neto | 2015.11.14 - 12:37

 

 

A cobardia de um ataque…

Homens armados, perfeitamente treinados, armadilhados para a carnificina.

A expressão maculada da bestialidade.

Terroristas?

Sim, porque seu fito é gerar o terror.

Seu objectivo é instituir o medo.

Seu fim é animar o pânico.

Seu intuito é provocar a insegurança quotidiana.

Seu propósito é difundir a mensagem: Ninguém está seguro em parte alguma porque nós estamos em toda a parte.

Seu resultado: chamar sobre si os holofotes mundiais. Mesmo que para tal pereçam 120 inocentes. Ou 1000. Ou 100 mil…

 

É gente para quem a própria vida não tem valor.

Como esperar que dêem valor à vida do outro?

Gente gerada e criada na violência, ignorante de paz, de benevolidade, de humanidade.

Mas gente que não nasceu de geração espontânea.

Nasceu de décadas de cupidez, cegueira, desprezo e exploração daqueles que nunca têm rosto.

E porém têm dedo para accionar o gatilho.

Europeus, talvez. Norte-americanos ou russos. Porque não, todos juntos?

 

Para já, a morte. A morte na Europa. A morte na França. A morte em Paris. A morte diária no mar Mediterrânico. A morte já ignorada na Síria…

Uma amostragem radical da mundivivência de quem a ela foge diariamente.

 

Somos uns hipócritas capazes (?) de fazer de contas que sentimos a dor e o sofrimento do outro quando, e de facto, apenas estamos preocupados com a nossa segurança.

Vamos colocar um dislike no face, no linkedin, no tweeter e vamos até à praia, que está um sábado soalheiro. O sol de S. Martinho. Que não brilha para todos.

 

A carnificina de Paris está hoje em toda a parte e é efeito dos monstros que todos gerámos, geramos e geraremos.

Mas Paris é um pouco o coração de todos nós. Como Roma. Como Madrid. Como Londres. Como Lisboa…

O resto… bom, o resto é lá em África ou Médio Oriente, não é?

 

Nota: Balanço às 11H00 –» 127 mortos e 180 feridos.