O civismo da agressão

por Paulo Neto | 2015.09.21 - 16:39

 

 

 

Um belo início de semana brindado por um esplendente sol que nos desamparou por uns dias e que nos deu um radioso fim-de-semana. Sol será de pouca dura mas bom para as vindimas. Já que o governo não dá benesses ao sector primário — só as promete — que ao menos a meteorologia não lhe seja adversa.

Almeida Henriques, o “vinhateiro-mor do Dão” deve impar de felicidade. Ele e os seus petizes confrades, futuros vinicultores de amanhã, pois já toda a gente percebeu que esta área é próspera, lucrativa e meio de riqueza para quem nela labora. Pelo menos para alguns.

 

Tsípras posto em causa sujeitou-se a novas eleições. O povo grego legitimou-o por mais quatro anos, por muito que tal legitimação custe a engolir aos restantes tesos e subservientes continentais que tudo fizeram para o aniquilar, em contexto europeu, quando a voz da solidariedade se devia erguer mais alto. Tsípras — e não falo em termos ideológicos — provou que há vida para além da canga que tipos como Pedro & Mariano carregam nas suas nédias e servis cachaçaceiras.

 

Ontem, por acaso, passei na Rua do Comércio onde, ao alto, num prédio particular, a coligação PàF inaugurava a sua sede de campanha. Meia centena de fervorosos entusiastas entre alguns amigos e muita gente de bem entremeada com alguns porfiados e eternos “políticos profissionais e do cochicho”. O RD deseja o merecido sucesso nesse dia festivo e de forte “simbologia impactante”.

 

Fui aluno da saudosa Professora Andrée Crabbée Rocha (Andrée Jeanne Françoise Crabbé Rocha) esposa de Miguel Torga (pseudónimo do médico/escritor Adolfo Rocha). Foi ela quem publicou os meus primeiros escritos, nos Cadernos de Literatura, do INIC… e que bem saí logo ao lado do (imaginem?) Luís Vaz de Camões! Por seu intermédio, uma vez conheci o grande escritor duriense, homem de poucas falas e semblante carregado que me dispensou, complacente, 3 minutos de sua preciosa atenção enquanto eu gaguejava a minha admiração por sua obra.

Deixo aqui uma frase dele que hoje li numa rede social:

 

“É um fenómeno curioso: o país ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado, come, bebe e diverte-se indignado, mas não passa disso.

Falta-nos o romantismo cívico da agressão.

Somos, socialmente, uma colectividade pacífica de revoltados.”

 

É que a não ser assim, pegava-se num estadulho e davam-se umas fueiradas no monsieur Patrick Drahi, CEO da Altice, nova dona da PT, que não tem papas na língua:

“Eu não gosto de pagar salários. Pago o mínimo que puder!”

Voilà, gaulesa, a nova versão dos vis “negreiros” d’antanho.

O meu amigo JAN questionou: — E então? Há outros que não gostam de pagar impostos, principalmente à segurança social…

E não deixa de ter razão! Os exemplos vindo a montante…

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