Ó Arnaldo, queres caldo? Não minha Mãe que m’escaldo…

por Paulo Neto | 2015.02.21 - 19:32

 

 

Pois em Sernancelhe não é assim! O caldo é com fartura, qualidade, sabor e, todo ele, feito com produtos locais pela terra e pelo rio dados. Falo-vos da Festa de Sopas…

Há uma genuinidade nestes eventos, onde as nossas torgas são postas à vista e a rusticidade é erigida a alto plano, que raramente se vê noutras festividades por esse território fora.

Se o encontro é de concertinas, lá se juntam 5 centos a atroar com galhardia e ímpeto de dedos e foles os ares da serra. Se é de pianistas ou de violoncelistas, a nata estará presente. Assim como o público que tanto aplaude a sinfónica harmonia da Banda de Ferreirim como uma notável contrabaixista da Eslovénia ou do Japão.

Nada ali é postiço ou presumido. Tudo é milimetricamente planeado com rigor, determinação e disciplina. A Câmara tem no seu Executivo e nos seus funcionários colaboradores que arregaçam mangas e dizem presente seja sábado, domingo ou feriado. Todos deitam mão a tudo e o resultado final, com este espírito de equipa bem coordenada é excelente.

Ontem, hoje e amanhã 14 stands expõem suas artes de tão aprumada quão singela e antiga culinária… Só paga é a malga, 2 ou 3 euros, que ainda e para mais é em bom barro negro e fica para si de recordação. E tem direito a 14 caldos a repetir quantas vezes seu arcaboiço lho permitir. Eram eles:

 

De Peixe;

De Feijão Vermelho;

De Cebola;

De Feijoca à Zebreira;

De Pescador;

Aveludado de Abóbora com Laranja;

Creme de Castanha;

Sopa à Lavrador;

Creme Désirée

De Castanha;

De Javali;

De Gravanços com Bacalhau;

Do Quarto da Maria Nova;

De Ervilhas com Bacon…

Provei quantos pude.

Todos tão deliciosos quanto é genuína a entrega, o saber e o bom gosto de quem os confeccionou.

 

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Sernancelhe em Festa a mostrar o que vale. E como se não bastasse, há música e dança no ar!

Quão diferente é tudo isto das presumidas e parolas festarolas viseenses…