Messieurs, dames, faites vos jeux!

por Paulo Neto | 2015.02.06 - 11:57

 

Segundo o INE há 726 mil desempregados actualmente em Portugal.  Destes, 131.400 são jovens entre os 15-24 anos. A maior taxa de desemprego verificou-se nos Açores, com 16,3% e sem contabilizar os despedidos da base das Lajes, segue-se-lhe a Madeira com 15% e Lisboa com 14,9%. O Centro de Portugal vai com 10,6%, o que o coloca abaixo da média nacional.

 

O público gosta de visualizar as execuções e as crueldades cometidas no mundo de hoje. Prova disso é a grande procura dos vídeo clips de amadores feitos no mundo islâmico, por um espectador que assiste, filma placidamente com o seu telemóvel e lança no youtube, logo de seguida. Do comprazimento à partilha vai um ai…

Ontem escrevi umas linhas sobre o Coliseu Romano e o polegar de César a decidir a vida ou a morte dos gladiadores derrotados. O público, rezam as crónicas de então, ululava ensandecido à vista da violência e do sangue. Mas Portugal não escapou à regra e desde os autos-de-fé e as fogueiras da tenebrosa Inquisição até ao esquartejamento dos Távoras (1758), sempre teve público certo e acirrado para assistir ao espectáculo. Saramago escreve-o com profunda ironia em “Memorial de Convento”

Mas também aprecia uma boa (?) cena de sexo. Não somos todos voyeurs? É por isso que a estreia do filme-coqueluche “As Cinquenta Sombras de Grey”, que tem com intriga os amores entre um homem de negócios e uma jovem estudante (revisitação recorrente de “Lolita”, de Nabokov, principalmente com Jeremy Irons e Dominique Swain) está a levar a uma corrida aos bilhetes por todo o país. O sado-masoquismo entremeado não será alheio a esse interesse. E porém, se o público (algum público) gosta tanto de ver o sexo que não faz/pratica, porque não subscreve aqueles canais X das tv’s por cabo – menu completo?

 

Em França, o director da Polícia Judiciária parisiense, Bernard Petit foi imediatamente suspenso por suspeição de “violação do segredo de Justiça e revelação do segredo de uma instrução com o fim de entravar o desenrolamento das investigações ou a manifestação da verdade”.

A este respeito, o ministro do Interior Bernard Cazeneuve foi taxativo: “Se se provar que foram cometidas infracções graves por polícias, serei intratável e de uma dureza total.”

Em Portugal, as fugas de informação são o pão-nosso de cada dia e nunca se apurou a sua origem. Ou melhor, nenhum magistrado conseguiu mandá-las investigar com sucesso pelos agentes policiais…

 

Se Draghi, do BCE, recusou aceitar a dívida grega como garantia, o resultado do encontro entre o alemão Schauble e o seu colega grego Varoufakis, concluiu-se lapidarmente: “Nem sobre o desacordo tinham chegado a acordo”. E porém, Obama e três prémios Nobel aliaram-se à causa grega. O presidente USA afirma que “não se podem continuar a pressionar países que estão em plena depressão”. E obviamente que esta afirmação nos inclui, assim como à Espanha, mas Coelho e Rajoy não parecem muito interessados em desiludir os mercados que tanto neles investiram… Além disso, Rajoy tem em casa um movimento semelhante ao Syriza…

O Nobel Paul Krugman, perante as exigências feitas a Atenas afirma que é “tirar sangue a uma pedra” ou imitar Sísifo, condenado por desafiar os deuses a empurrar eternamente uma pesada pedra até ao cimo de uma alta montanha, constantemente a cair. O que, segundo Yanis Varoufakis é uma má estratégia… “A boa estratégia para Sísifo é parar de empurrar o rochedo, desistir de subir ao alto da colina”, numa releitura mitológica bem adequada.

Putin, por seu lado, convidou Tsipras para uma visita oficial à Rússia. Isto quando Merkel recusou receber o seu homólogo grego e foi para Kiev com Hollande, encontrar-se com o presidente ucraniano e com John Kerry, secretário de estado norte-americano, com outras enormes preocupações…

Em suma, a Europa com várias frentes no seu campo de batalha, desde o crescente terrorismo, fraco crescimento da economia, ameaça de deflação, crise ucraniana, crise grega… a Grécia que, em derradeira instância, juntamente com a Turquia, verão em Putin o seu anjo da guarda e se coligados, gerarão uma inequívoca ameaça ao equilíbrio euro-atlântico.

E quando aí chegarmos, a esse cenário extremo, a chanceler Merkel pode ir carpir suas dores para a Floresta Negra, ao harmonioso som de “Tannhaüser”, de Wagner, que Adölf Hitler muito estimava e aqui deixamos para deleite do estimado leitor…

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e já agora um cheirinho de “Lolita”…

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