Meia dose de sigilo bancário…

por Paulo Neto | 2014.11.24 - 00:01

  Há factos que nos deixam a pensar… Sabe-se que a detenção de José Sócrates teve origem na denúncia de uma instituição bancária pública. A mesma que invocou o sigilo bancário para não dar acesso às contas de Passos Coelho, aquando da tentativa de esclarecimento do insolúvel e misterioso caso Tecnoforma/CPPC. Desta ambiguidade comportamental podem tirar-se possíveis conjecturas. A primeira e mais importante sendo que os dirigentes de tal instituição, comissários de nomeação política que noutros tempos se rebolavam ao assobio de Sócrates, se rebolam agora ao estalido de Coelho. A segunda é da existência de diferentes pesos e medidas. E é constrangedora. Ou foi a justiça que, num caso exerceu as suas prerrogativas legais e noutro as ignorou?  

 

Com congressos, eleições e sucessões, a classe política lusitana anda num sururu… Hoje e mais que nunca, esta rapaziada, em geral, é identificada com o que pior se faz e pratica na sociedade portuguesa. Pior mesmo, só crimes de sangue… a barca, de tão cheia e rota, rebenta pelas costuras. Se a classe política está inçada e podre de tantos e tão maus vícios, a solução seria a sua renovação, a sua diminuição numérica, a sua reclassificação, a sua selecção por critérios de mérito e conhecimento dentro das classes partidárias, o escrutínio constante e apurado das atitudes políticas, a obrigatoriedade de um regime blindado de exclusividade e a aprovação de penas duríssimas para os prevaricadores. Juntar-se-lhe o afastamento das sociedades de advogados e dos empresários, seria a cereja em cima do bolo. Talvez isto seja mais impensável do que “A Utopia”, de T. More. Mas que nos transmite um sopro de esperança… e sonho, lá isso é verdade.   Com a Justiça a regenerar-se de “alguma inércia” e com o Baltasar Garzón português de mangas arregaçadas, seria excepcionalmente bom que se começassem a deter outros protagonistas do “delito”, banqueiros inclusive, ex-ministros, ex-secretários de estado, ex-autarcas, facilitadores, etc… Talvez assim, como sucedeu com os tiranos terceiro-mundistas, Kadafi, Saddam, etc., desaparecesse o clima de impunidade e começassem a pensar, de uma vez por todas, em agir como gente  de bem, no pressuposto básico de que, afinal, a “prevaricação” não compensa…