Mangualde e Sernancelhe, pontos comuns…

por Paulo Neto | 2014.10.27 - 00:01

 

 

 

Estes dois concelhos do distrito de Viseu, com especificidades muito diferenciadoras, têm muito em comum na geografia dos meus afectos.

Primeiro, ambos têm à frente da autarquia equipas jovens e dinâmicas das quais sou pessoal amigo. Segundo, estive profissionalmente ligado a Mangualde durante quase duas décadas, no Ensino e aí fui director de um jornal, O Zurão, depois, O Zurara. Terceiro, sou amigo de há quatro décadas de José Mário Cardoso, o ex-presidente da Câmara de Sernancelhe e sou amigo do actual autarca há quase dez anos. Aí criei a revista literária “Aquilino”. Muitos foram os eventos em que participei mais ou menos activamente e é com frequência quase quinzenal que vou ora a um ora a outro desses concelhos.

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Curiosamente, ambos têm Foral anterior à data da Fundação da Nacionalidade Portuguesa. O de Mangualde, atribuído então a Azurara da Beira, data de 1102. O de Sernancelhe data de 1124. Exactamente de 26 de Outubro de 1124, fazendo hoje 890 anos. Foi atribuído por Dom Egas Gozende. Recordo que, se a data de 1139 figura como sendo a do “nascimento” de Portugal, só em 5 de Outubro de 1143, pelo Tratado de Zamora, se procedeu ao seu reconhecimento oficial.

No próximo fim-de-semana, decorrerão duas festividades fulcrais de cada um desses concelhos: em Mangualde a Feira dos Santos, onde o suíno é rei; em Sernancelhe a Feira da Castanha, onde a judia e a martainha são rainhas.

Estes dois eventos atraem milhares de participantes de todo o Portugal. E, a cada dia que passa, vão-se expandindo, crescendo com a dinâmica dos seus presidentes, João Azevedo, do PS e Carlos Silva, do PSD, mais a de suas equipas.

Em períodos críticos como aquele que vivemos nos últimos anos é gratificante apontar autarcas capazes de implementar no poder local esta “genica” derrubadora de inércias e atritos e potenciadores do avanço dos seus municípios, contrariando as más práticas daqueles que cobrem de opróbrio os seus territórios, com as suas megalomanias, compadrios, amiguismos e má gestão dos dinheiros públicos. Naturalmente que em 24 concelhos, o distrito de Viseu tem de ambos. Felizmente que os casos mais negativamente “espinhosos” não chegam aos 20%.

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Hoje, domingo, dia soalheiro de um verão de São Martinho prolongado, no meu “passeio dos tristes”, saí de Viseu, fui tomar um café a Mangualde, saborear um tradicional pastel de feijão, dar um passeio pela nova avenida ontem inaugurada e, de rota-batida, rumei a Sernancelhe. Tempo de passar pela Lapa a comprar o alvo pão, de subir à Nossa Senhora de ao Pé da Cruz, a ver os castanheiros e a deslumbrante paisagem, tão matizada como a paleta de um pintor, descer à vila, dessedentar com água fresca e um bolo de castanha, peregrinar à Nossa Senhora das Necessidades (outra merecida vista), baixar ao Távora em hora já de crepúsculo e dar a jorna por bem merecida.

O nosso distrito tem muito que ver, apreciar, admirar. Assim queiramos, possamos e tenhamos olhos para a diferença.

 

(Notas: I. A foto da avenida é de Nuno Frederico; II. Este editorial foi escrito a 26 e publicado a 27 de Outubro).