Jovens emigrantes: uma pátria madrasta e uns políticos de 3ª…

por Paulo Neto | 2014.12.07 - 12:38

 

 

O desemprego jovem sobe. A maioria dos mais de 100 mil jovens que anualmente deixam Portugal têm entre os 25 e os 34 anos e são qualificados com formação superior nas mais diversas áreas.

Vão para a Irlanda, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Suíça, Holanda, Bélgica. Vão para as áfricas, vão para as américas…

Para termos uma ideia mais concreta, neste 2014 que ainda não chegou ao seu fim, os jovens enfermeiros emigrados para a Grã-Bretanha aumentaram 500%.

Este êxodo está a mandar embora do país os melhores de entre os portugueses. Porque são jovens, porque são a esperança do crescimento demográfico, porque são qualificados, porque são o futuro tecnológico da nação.

O pior é que, contrariamente ao grande fluxo emigratório dos anos 60, quando centenas de milhares de portugueses deixaram seu país, nomeadamente para a França, fazendo-o clandestinamente, de “assalto”, porque Salazar proibira a emigração legal, com a vergonha de uma Europa que os via chegar em exércitos atarantados de mão-de-obra sôfrega e barata, esta vaga de emigrantes, autênticos heróis cuja história está por fazer, só levava uma ideia na cabeça: ter trabalho para enriquecer e voltar. E assim foi e quem não se lembra dos anos 80 em que as remessas de biliões de francos salvaram a economia nacional da bancarrota?

Os jovens emigrantes de hoje deixam à força o seu país, os seus familiares, os seus amigos, as suas namoradas e noivas. São bem acolhidos no estrangeiro e não pensam em regressar.

Esta nova geração — altamente qualificada e competente — numa Europa e num mundo, em geral, carente deste tipo de recurso humano duplamente promissor, em cuja formação não investiu um cêntimo, não saiu de Portugal com alegria. Saiu de Portugal revoltada porque a sua pátria lhe tolheu o futuro.

Não olham para Portugal e para os políticos portugueses com amor, tolerância e saudade. Antes com animosidade e desprezo. E nos países que os acolheram, integram-se, constituem família, têm filhos e… ficam. Virão a Portugal uma vez por outra, passar uma semana. Os seus salários, tão arduamente conquistados, não são para aforrar na desacreditada “bancaria” lusitana. São para investir na sua nova pátria, na sua nova casa, na sua nova vida…

Aquele ministro anedótico qualquer-coisa-Relvas, que não emigrou por falta de qualificações, achava esta emigração “extremamente positiva” e acrescentava, tonto, “é importante que se tenha uma visão cosmopolita do mundo”, enquanto, no mesmo tom, um “indiota” qualquer-coisa-Mestre (de nome) que foi ou é secretário de Estado do Desporto e Juventude ia mais longe, cínico e atrevido, ao mandar os jovens sem emprego sair “da sua zona de conforto e procurar oportunidades além-fronteiras.”

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E eles foram: desde 2008, a uma média de 100 mil/ano, Portugal perdeu 600 mil dos seus mais promissores quadros e do seu mais esperançoso futuro.

Os políticos deste país ainda não quantificaram a enormidade do “crime” cometido. Mais tarde o pagaremos, porque estes políticos da trampa olham, e de curtas vistas, para o presente sem cuidarem do futuro.

Aproxima-se o Natal. Para muitos milhares de famílias será o primeiro Natal sem seus filhos. Para muitos milhares de jovens será o primeiro Natal sem suas famílias e amigos.

De nada vale, mas o meu pensamento está com eles.