Governantes: modo pânico

por Paulo Neto | 2014.09.08 - 11:03

 

 

Cavaco Silva, Passos Coelho e Paulo Portas têm adstrito um exército pessoal de 32 guarda-costas. Força especial, treinada para o efeito e muito cara ao erário público. Mas como se não bastasse e apesar de ainda não haver conhecimento de quaisquer ataques à integridade física desses indivíduos, vai aumentar não só para o dobro, como vão abrir mais umas centenas de vagas para a polícia de intervenção.

Esta constatação o que nos sugere e refere? Sugere-nos um estado de inquietação e um medo crescentes por parte dos governantes e refere-nos o aumento previsível do clima de insatisfação e de violência do povo português.

Os grandes ditadores dos últimos tempos, desde Ceausescu, a Saddam ou Kadafi também viram crescer à sua volta o descontentamento. Mas, na autoconfiança dos tiranos e autocratas, sentiram-se seguros. Até à inevitabilidade do desfecho que todos conhecemos.

Quando a ira atinge proporções desmesuradas não há exército que os defenda. Quanto mais duas dezenas de guarda-costas. “Do rio que tudo arrasta se diz que é violento, ninguém diz violentas as margens que o comprimem”, escreveu Brecht…

Mas é curioso termos a consciência da percepção de receio que estas três “figuras” portuguesas detêm. Mas se tal é efeito, mais curial seria reflectirmos nas suas causas.

Eleitos para governar pelos portugueses, têm governado contra os portugueses e contra Portugal que, paulatina e porfiadamente têm vindo a vender a retalho.

Acabaram de ser alienados os CTT; vai a seguir a TAP; talvez se lhes siga a CGD e o que mais se lembrarem e tiver valor para a agiotagem internacional, os seus mestres e patrões.

Quando esta cambada deixar a governação de Portugal, deixará um país exangue, vazio de activos e só com o lixo tóxico gerado. Mas deixará mais… um país sem serviços, vendido a privados, sejam brasileiros, angolanos, chineses, colombianos ou “apátridas”, cabeças-de turco de grupos económicos branqueadores das mais maculadas e misteriosas origens e instâncias.

Deixará um país ingovernável, em gestão corrente, enquanto anda sorrateiramente a aforrar no Banco de Portugal e demais instituições bancárias, saqueados aos contribuintes, milhões de milhões, para dentro de meses, à boca de eleições fazer o milagre da multiplicação dos pães, ou seja:

“votem em nós, que somos os maiores um mês em cada quatro anos de governação…”